Internacional

Assad acusa EUA e aliados de lançarem "campanha de falácias e mentiras"

2018-04-16 08:08:58 (UTC+01:00)

O Presidente sírio acusou ontem os Estados Unidos e os seus aliados de lançarem uma "campanha de falácias e mentiras" após a ofensiva militar lançada no sábado na Síria por Washington, Londres e Paris.

"A agressão tripartida contra a Síria foi acompanhada por uma campanha de falácias e mentiras no Conselho de Segurança (da ONU) por parte dos mesmos países agressores contra a Síria e a Rússia", afirmou hoje Bashar Al-Assad, numa reunião com uma delegação parlamentar russa, em Damasco.

Para Assad, a actual situação prova que a Síria e a Rússia "estão a lutar contra o terrorismo e a proteger a lei internacional baseada no respeito à soberania dos Estados soberanos e à vontade dos seus povos".

"A agressão tripartida contra a Síria é uma violação clara das convenções internacionais que surge num momento em que os sírios estão a tentar restaurar a estabilidade e continuar o processo de reconstrução do que foi destruído pelo terrorismo", afirmaram, por seu turno, os parlamentares russos, citados pela agência de noticias oficial síria, Sana.

A delegação russa era composta por deputados do Rússia Unida, o partido que apoia o presidente Vladimir Putin.

Os Estados Unidos, França e Reino Unido atacaram na madrugada de sábado alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta ao alegado ataque com armas químicas contra a cidade rebelde de Douma, Ghouta Oriental, por parte do Governo de Bashar al-Assad, ocorrido uma semana antes e que terá provocado 40 mortos e atingido outras 500 pessoas.

A ofensiva consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono. Segundo o secretário-geral da NATO, a ofensiva teve o apoio dos 29 países que integram a Aliança.

Hoje, o presidente russo alertou para a possibilidade de novos ataques à Síria por parte dos países europeus poderem provocar "o caos" nas relações internacionais.

"Se tais acções, que são uma violação da Carta das Nações Unidas, voltam a acontecer, tal provocará inevitavelmente o caos nas relações internacionais", afirmou Putin em conversa com o seu homólogo iraniano, Hassan Rohani, segundo um comunicado divulgado pelo Kremlin.

Entretanto, as forças do Governo sírio atacaram o norte da província central de Homs e sul da vizinha Hama, depois de proclamarem vitória na região de Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, revelou o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Segundo aquela fonte, citada pela agência de notícias espanhola EFE, a operação aconteceu próximo da estrada que liga a cidade de Homs, capital da província homónima, com a povoação de Al Salamiya, em Hama, com o objectivo de garantir a segurança rodoviária entre aquelas duas zonas.

Os confrontos entre tropas do Governo e facções rebeldes estão concentrados em áreas como Al Hamirat, Selim, Al Amariya e Quibe al Kurdi.