Internacional

Assad diz que fracasso da Rússia destruirá o Médio Oriente

2015-10-05 06:25:05 (UTC+01:00)

O Presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou ontem, que um fracasso da Rússia e seus aliados no combate “aos grupos terroristas” significaria a destruição da região do Médio Oriente.

A Rússia, o Iraque e o Irão anunciaram recentemente uma aliança com a Síria para o combate do grupo Estado Islâmico (EI) que ocupa territórios sírios e iraquianos.

“A aliança entre a Rússia, a Síria, o Iraque e o Irão tem de ter êxito, caso contrário toda a região será destruída, não apenas um ou dois países”, disse al-Assad, numa entrevista difundida pela televisão iraniana Khabar.

As quatro nações vão alcançar “resultados práticos”, ao contrário da coligação liderada pelos Estados Unidos, cuja campanha de ataques aéreos que já dura um ano contra os militantes do EI na Síria e no Iraque viu uma expansão da violência.

“Desde que a coligação liderada pelos EUA foi formada, o Estado Islâmico expandiu-se geograficamente e os seus recrutas multiplicaram-se”, disse o presidente sírio.

Na quarta-feira ,dia 30, a Rússia iniciou uma campanha de bombardeamentos no território sírio contra o EI, mas também contra outros grupos da oposição ao regime de Assad.

Também na semana passada, duas fontes libanesas anunciam que centenas de soldados iranianas chegaram à Síria na última semana e meia e em breve se unirão às forças de Damasco e a aliados libaneses do Hezbollah para uma grande ofensiva.

“Os ataques aéreos (russos) serão, no futuro próximo, acompanhados de avanços terrestres do Exército sírio e seus aliados”, afirmou, segundo a Reuters, uma fonte libanesa muito a par dos desdobramentos políticos e militares do conflito.

“A vanguarda das forças terrestres iranianas começou a chegar à Síria: soldados e oficiais, especificamente para participar nesta batalha. Não são conselheiros (...) falamos de centenas, com equipamento e armas. Eles serão seguidos por outros mais”, disse a segunda fonte. Os iraquianos também participarão da operação, segundo o informante, citado pela agência Reuters.

Até agora, o apoio militar iraniano directo a Assad deu-se sobretudo na forma de conselheiros militares. O Irão também mobilizou combatentes de milícias xiitas, inclusive iraquianos e alguns afegãos, para lutar ao lado das forças governamentais sírias.

O grupo Hezbollah, que tem apoio do Irão, vem combatendo juntamente com o Exército sírio desde o início do conflito em 2011.

Na entrevista à televisão iraniana, o Presidente sírio também falou sobre o seu futuro, afirmando que apenas os cidadãos do seu país podem decidir sobre as mudanças do sistema político local ou dos seus líderes.

“Se minha saída for a solução, eu nunca vou hesitar em fazê-lo”, disse.

Os seus opositores internacionais afirmam que qualquer solução política para a guerra da Síria deve envolver a saída de Assad do poder, apesar de que alguns Estados ocidentais já suavizaram essa exigência, afirmando que ele poderia se manter na presidência durante um período de transição. [FM]