Internacional

Ataques com granadas perturbam votação no Burundi

2015-06-30 04:45:42 (UTC+01:00)

Os burundeses foram ontem votar para eleger os seus deputados e vereadores, em condições difíceis depois de cerca de dois meses de protestos contra um terceiro mandato do Presidente Pierre Nkurunziza e num clima de violência, incluindo ataques a granadas.

Apesar das injunções da comunidade internacional, o Governo rejeitou qualquer adiamento dos escrutínios para os quais a oposição e a sociedade civil apelaram ao boicote.

Em Bujumbura a participação variou de bairro para bairro. Naqueles que são contra o terceiro mandato de Nkurunziza, o boicote foi enorme, segundo a RFI. Até cerca das 14.00 horas a taxa de participação em algumas assembleias de voto estava abaixo de 5%.

Mesmo sem a mobilização para o boicote, também nalgumas províncias os eleitores mostravam-se relutantes em ir votar, dizendo que não queria essas eleições, já que eles não reconhecem.

Mas outra visão se tinha nos bairros e locais onde é forte a influência do Conselho Nacional para a Defesa da Democracia (CNDD-FDD, partido no poder).

Segundo a RFI, os eleitores foram muito cedo votar e às 13.00 horas a taxa de participação era de cerca de 50%, nalgumas assembleias de voto.

A fraca participação pode ser explicada por dois factores: o apelo da oposição para o boicote e também a violência.

Os colégios eleitorais abriram na manha de ontem no Burundi após uma série de ataques com granadas e num ambiente marcado pelas deserções de vários políticos do CNDD-FDD.

Vários centros de votação foram atacados durante a noite em Bujumbura e em algumas províncias, mas os atacantes não danificaram materiais eleitorais, segundo a Polícia.

As eleições legislativas e municipais de ontem antecedem as presidenciais marcadas para dia 15 de Julho próximo, embora a oposição e a comunidade internacional tenham mostrado a sua completa rejeição por considerarem que não há garantias de que estas possam ocorrer de forma segura e transparente. [FM]