Internacional

Burkina Faso: grupo leal ao general golpista se recusa a depor as armas

2015-09-30 06:22:08 (UTC+01:00)

O desarmamento dos soldados do antigo Regimento de Segurança Presidencial (RSP) do Burkina Faso está parado.

O Governo de Ouagadougou diz que um grupo de soldados leais ao general golpista Gilbert Diendéré ainda se recusa a depor as armas.

O RSP, enquanto corpo de elite, foi dissolvido por decreto presidencial na semana passada e os seus elementos devem ser integrados em outras unidades do Exército do Burkina Faso.

O aeroporto de Ouagadougou foi encerrado ontem, após tropas do país cercarem a área em redor do quartel da antiga guarda presidencial, a unidade de elite envolvida no recente golpe de Estado e que continua armada, aumentando o receio de confrontos.

Todos os voos foram cancelados e o aeroporto, situado perto do centro da cidade, vai continuar encerrado até nova ordem, segundo revelou fonte aeroportuária à Agência France Presse (AFP).

As notícias do encerramento do aeroporto chegaram várias horas após o Exército ter bloqueado o bairro de Ouaga 2000, na zona do quartel do RSP, responsável pelo golpe de 17 de Setembro corrente.

Embora o RSP tenha abandonado a tentativa de golpe de Estado e tenha sido formalmente dissolvido na sexta-feira, os seus efectivos não depuseram as armas e continuam dentro dos quartéis, causando um novo impasse ao Governo, que os acusa de fomentar novos problemas.

Num sinal de crescente tensão, na manhã de ontem as tropas rodearam o quartel com carros blindados, enquanto soldados com metralhadoras e lança-granadas ocuparam vários cruzamentos.

Todo o tráfego foi banido da área e o general Pingrenoma Zagre, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, pedia aos moradores para se manterem afastados da zona "por razões de segurança".

Não era claro por que razão as tropas bloquearam a área, embora parecesse tratar-se de uma forma de exercer pressão sobre o líder do RSP, Gilbert Dienderé.

O RSP, que é composto de cerca de 1300 tropas de choque, deteve, a 16 de Setembro, o Presidente interino, Michel Kafando, e o Primeiro-ministro, Isaac Zida.

No dia seguinte, foi colocado como novo chefe de Estado Gilbert Dienderé mas, após quase uma semana de pressão internacional, os golpistas desistiram, aceitando um acordo de paz no âmbito do qual a liderança deposta foi retomada. [FM]