Internacional

Burkina Faso: líder do golpe promete libertar autoridades da transição

2015-09-18 00:47:21 (UTC+01:00)

O líder do golpe de Estado no Burkina Faso, general Gilbert Diendéré, justificou ontem a acção devido a “uma grave situação de insegurança pré-eleitoral” e prometeu libertar as autoridades da transição.

Numa entrevista por telefone à “Jeune Afrique” (JA), o considerado patrão histórico do Regimento de Segurança Presidencial (RSP), a força de elite que realizou o golpe disse que “uma grave situação de insegurança pré-eleitoral reina no Burkina Faso”, sublinhando que era necessário “impedir a desestabilização do país”.

O Presidente da transição, Michel Kafando, e seu primeiro-ministro, Isaac Zida, estão a ser mantidos como reféns desde quarta-feira pelos militares golpistas. “Eles foram colocados em prisão domiciliária. Estão bem e serão libertados”, assegurou o militar.

O antigo chefe do Estado-Maior do ex-Presidente Blaise Compaoré, deposto há um ano depois de 27 anos no poder, também afirmou que “medidas de exclusão (foram) tomadas pelas autoridades da transição” e que “foi por isso que os seus homens passaram à acção”.

Mas, prometeu o líder golpista, “as eleições serão realizadas”. O país tinha eleições presidenciais e legislativas marcadas para 11 de Outubro próximo.

“Nós desejamos discutir com todos os actores políticos para reiniciar em bons fundamentos. As eleições acontecerão, mas nós devemos primeiro concertar-nos”, explicou.

Diendéré afirmou que não fazem uma frente comum com o Congresso para o Progresso e a Democracia (CDP), o partido de Compaoré, excluído das eleições pelas autoridades da transição.

“Nós temos amigos no CDP como em outros partidos políticos. Mas esta proximidade com o CDP não é a razão para a nossa passagem para os actos”, disse o militar. [FM]