Internacional

Burkina Faso vai regressar para o regime civil

2015-09-21 13:31:54 (UTC+01:00)

O Burkina Faso vai regressar para o regime civil e restabelecer um governo interino liderado pelo Presidente Michel Kafando, anunciou o Presidente do Benim, Thomas Boni, segundo noticiaram ontem as agências internacionais.

A decisão surge na sequência das conversações que Boni manteve com o líder golpista, general Gilbert Diendéré, na capital burquinabe, Ouagadougou.

“Podemos ter esperança novamente”, disse Thomas Boni numa conferência de imprensa depois de uma terceira ronda de conversações com Diendéré, no sábado.

“Vamos relançar a transição que estava em curso - uma transição liderada por civis, com Michel Kafando”, acrescentou, dizendo que mais detalhes sobre a “boa notícia” seriam fornecidos mais tarde.

Os soldados da guarda presidencial de elite (RSP) invadiram uma reunião do Governo na quarta-feira e sequestraram o Presidente Kafando e Isaac Zida, o Primeiro-ministro, interrompendo um período de transição que deverá terminar com a realização de eleições no próximo mês.

Diendéré, um ex-chefe da espionagem e aliado próximo de Blaise Compaoré, o ex-presidente, foi nomeado chefe do Governo militar no dia seguinte ao golpe.

Não ficou claro se o alegado acordo inclui amnistia para Diendéré ou se o calendário eleitoral vai ser mantido.
Pelo menos 10 pessoas foram mortas e mais de 100 feridos em confrontos de rua com soldados desde o golpe.

O golpe fez descarrilar um processo de transição de um ano que se seguiu à queda do Compaoré durante um levantamento popular em Outubro passado.

As eleições estavam previstas para 11 de Outubro, mas Diendéré, um ex-assessor de Compaoré, disse que a data esta muito perto.

O golpe foi rapidamente condenado pela antiga potência colonial, a França, os Estados Unidos da América, as Nações Unidas e pela União Africana (UA), que suspendeu Burkina Faso na sexta-feira.

A UA deu aos líderes do golpe 96 horas, ou até amanhã (22 de Setembro), para restaurar o governo de transição ou enfrentar proibições de viagem e congelamento de bens.

Os militares divulgaram um comunicado na sexta-feira dizendo que haviam libertado Kafando mas o Primeiro-ministro interino permanecia sob prisão domiciliar. A sua situação não é conhecida desde então. [FM]