Internacional

Burundi: EAC pede adiamento das presidenciais e formação de GUN

2015-07-07 06:37:05 (UTC+01:00)

Dar-Es-Salam recebeu ontem a terceira cimeira regional sobre a crise no Burundi em dois meses. Mas o protagonista do diferendo, o Presidente Pierre Nkurunziza faltou ao encontro.

Nkurunziza preferiu continuar a sua campanha para a controversa eleição presidencial do próximo dia 15. A cimeira renovou o apelo para o adiamento do escrutínio.

A cimeira precedente da Comunidade da África Oriental (EAC), há pouco mais de um mês, tinha feito três recomendações para o Governo burundês: adiar as eleições, desarmar as milícias e iniciar um diálogo com a oposição. Mas o que aconteceu foi: já foram realizadas as eleições legislativas e municipais, as presidenciais estão na calha, o diálogo não acontece e, acima de tudo, a violência ganha força o país.

Com a participação de apenas dois chefes de Estado – o anfitrião Jakaya Kikwete e o ugandês Yoweri Museveni – A EAC (Burundi, Quénia, Ruanda, Tanzânia e Uganda) voltou a pedir o adiamento das presidenciais e designou o presidente ugandês como mediador da crise.

As eleições devem ser adiadas para 30 de Julho “para dar tempo ao mediador (Yoweri Museveni) de conduzir o diálogo”, declarou o secretário-geral da organização regional, Richard Sezibera.

A oficialização em Abril da candidatura do presidente Nkurunziza a um terceiro mandato desencadeou um movimento de contestação popular violentamente reprimido pela polícia.

As eleições presidenciais seguem-se as legislativas e municipais, a 29 de Junho, que foram boicotadas pela oposição e cujo adiamento fora pedido por quase toda a comunidade internacional, incluindo a EAC, a União Africana, a União Europeia, os Estados Unidos e até as Nações Unidas.

O poder no Burundi recusa protelar as presidenciais argumentando com o risco de vazio institucional por o mandato de Nkurunziza terminar a 26 de Agosto.

Face à teimosia de Bujumbura, a comunidade internacional retirou os seus observadores, com excepção da ONU.

No caso das presidenciais, que a oposição também boicota, a EAC anunciou ontem que vai enviar “uma missão de observadores eleitorais”.

A organização regional pediu, por outro lado, e seja qual for o vencedor das presidenciais, a formação posterior de “um governo de unidade nacional (GUN) ” juntando “os que participaram e os que não participaram nas eleições”. [FM]