Internacional

Burundi: Jovens condenados a 30 anos de prisão por apedrejarem comitiva presidencial

2020-08-11 06:24:10 (UTC+01:00)

Três jovens foram condenados, no domingo, no norte do Burundi, a 30 anos de prisão por "ataque e conspiração contra o chefe de Estado", Evariste Ndayishimiye, por terem apedrejado a sua comitiva.

"O Tribunal Superior de Kayanza, norte do Burundi, condenou três jovens, incluindo uma rapariga, a 30 anos de prisão por agressão e conspiração contra o chefe de Estado durante um procedimento de flagrante delito", disse ontem uma fonte judicial, sob anonimato, citada pela agência France-Presse.

As testemunhas no julgamento de domingo confirmaram a informação. Três pedras foram atiradas à caravana do Presidente Ndayishimiye a partir de uma estação de serviço, na quarta-feira, segundo a procuradora Désirée Bizimana.

A primeira atingiu um polícia da guarda presidencial, a segunda o para-brisas de um veículo e a última passou por cima da comitiva de cerca de 50 carros, de acordo com a acusação.

Cinco suspeitos foram presos na quarta-feira à noite, dois dos quais foram rapidamente libertados.

Chadia Mbaririmana e Augustin Manirishura, dois funcionários da estação de serviço, e Christophe Ndayidhimiye, um mecânico, foram inicialmente acusados de "violação da segurança pública" e de não alertarem os serviços de que a segurança do chefe de Estado estava em perigo.

O Ministério Público tinha pedido sete anos e meio de prisão para os arguidos, que, segundo descrição de testemunhas, surgiram em tribunal "assustados" e sem advogado de defesa.

Durante todo o julgamento, negaram ter atirado pedras ou testemunhado pedras a serem atiradas, mas o tribunal classificou os atos como "ataque e conspiração contra o chefe de Estado", condenando-os a 30 anos de prisão.

"O tribunal tem estado sob forte pressão política para condenar severamente os arguidos", disse a fonte judicial.

A agência noticiosa francesa contactou o porta-voz do Presidente do Burundi, Jean-Claude Karerwa Ndenzako, que não reagiu.

"O Governo do Burundi é sempre paranoico acerca destas histórias de conspiração", disse um diplomata africano, sob condição de anonimato.

Evariste Ndayishimiye, uma figura-chave do partido no poder, foi eleito Presidente em 20 de maio e tomou posse pouco depois da morte repentina do seu antecessor Pierre Nkurunziza.

A comunidade internacional tinha esperado uma flexibilização do regime, mas a nomeação de um governo composto em grande parte por adeptos da linha dura mostrou que pretendia seguir os passos do seu predecessor.