Internacional

Burundi vai hoje às urnas em clima de tensão

2015-06-29 07:26:05 (UTC+01:00)

Material eleitoral queimado, explosão de granadas e pelo menos três mortos em Bujumbura, este era o clima do sábado e ontem no Burundi, país que hoje tem eleições legislativas e municipais.

A Comissão Eleitoral garante que “está tudo pronto” para a votação impugnada pela oposição. Na sexta-feira, o Governo burundês confirmou que as eleições seriam realizadas dia 29 (hoje).

Ele ignorou os apelos da oposição, da sociedade civil e da comunidade internacional para o adiamento dos escrutínios, dada a grave crise que o país enfrenta desde o anúncio em finais de Abril da candidatura do Chefe do Estado Pierre Nkurunziza às presidenciais que se seguirão, a 15 de Julho próximo, a estas duas votações.

A formalização desta candidatura a um terceiro mandato Nkurunziza foi eleito em 2005 e 2010 provocou um movimento de protesto popular, especialmente na capital Bujumbura, mas também em algumas cidades do interior, violentamente reprimidas pela Polícia.

Pelo menos 70 pessoas morreram na violência relacionada com os protestos, de acordo com uma ONG burundesa de defesa dos direitos humanos e mais de 100 mil pessoas fugiram para os países vizinhos.

É neste contexto que materiais eleitorais foram queimados na cidade de Ntega, cerca de 200 quilómetros a nordeste de Bujumbura, na província de Kirundo, de acordo com a AFP.

Noutro sinal da crescente tensão, pelo menos três pessoas morreram na noite do sábado para ontem nos bairros periféricos de Jabe e Kanyosha que, juntamente com o de Musaga, são os focos da contestação popular contra o terceiro mandato de Nkurunziza.

De acordo com testemunhas, duas das vítimas são civis – um estudante baleado pela Polícia e um electricista atacado com uma granada. A terceira vítima é um soldado morto por outro acidentalmente durante a intervenção numa casa, disse o porta-voz do Exército, Gaspard Baratuza, citado pela AFP.

A comunidade internacional, que teme um retorno à violência em grande escala no pequeno país dos Grandes Lagos, já avisou as autoridades de Bujumbura contra as consequências da sua eleição à força. [FM]