Internacional

Burundi vive ao ritmo dos rumores do adiamento das eleições

2015-06-04 05:45:40 (UTC+01:00)

A um dia do início do ciclo eleitoral e com os protestos contra o Presidente Pierre Nkurunziza cerceados pela acção repressiva das forças de segurança, o Burundi vivia ontem ao ritmo dos rumores do adiamento dos escrutínios.

Na terça-feira a CENI deu a responsabilidade por essa decisão ao Chefe de Estado.

A Polícia do Burundi impediu ontem quase todas as tentativas de manifestações contra o Governo nos distritos contestatários de Bujumbura.

De acordo com a Jeune-Afrique (JA), a Polícia removeu todas as barricadas e implantou-se em massa junto dos locais onde habitualmente os contestatários se concentravam para as suas manifestações diárias e conseguiu “estancar” o movimento de protesto.

Quase nenhuma manifestação importante foi ontem assinalável em Bujumbura, após mais de um mês de vivos protestos populares contra a candidatura do Presidente Nkurunziza para um terceiro mandato.

Mas, ainda segundo a JA, observou-se um aumento significativo de manifestações nas províncias, com encontros anti-terceiro mandato em Ijenda, cerca de 30 quilômetros de Bujumbura, em Mugamba (sul), em Matana (sul), Gisozi (centro) e Kibumbu (centro).

Desde o anúncio da candidatura de Nkurunziza, em finais de Abril, as manifestações foram quase diárias nas ruas de Bujumbura.

A data do início do ciclo de eleições se aproxima amanhã estão previstas legislativas e locais, dia 26 presidenciais e a 17 de Junho as para o Senado e os burundeses estavam na expectativa de novas datas, em conformidade com a sugestão domingo apresentada pela Comunidade da África Oriental (EAC) para o adiamento do calendário eleitoral em pelo menos mês e meio.

A Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) anunciou na terça-feira ter feito à Presidência da República uma “proposta técnica” para o adiamento das eleições, mas chamou atenção para o respeito dos prazos constitucionais.

Pelos prazos constituições referenciados pela CENI, o Burundi deve ter um novo Parlamento em funções até 8 de Julho e um Chefe de Estado eleito e investido, o mais tardar, até 26 de Agosto. [FM]