Internacional

Embaixador em Lisboa acusa Portugal de “diabolizar Angola” (VIDEO)

2015-10-26 08:41:31 (UTC+00:00)

O embaixador angolano em Lisboa acusou Portugal de utilizar o caso dos 15 ativistas detidos em Luanda como "pretexto" para "diabolizar Angola"

Se por um lado a filha do Presidente de Angola Isabel dos Santos só tem olhos para investir em Portugal, comprando grandes empresas, bancos e investimentos imobiliários, por outro lado o Governo Angolano acusa Portugal de querer transformar Angola num caos, do mesmo jeito que Líbia, Iraque ou Síria se transformaram. A guerra diplomática entre os dois países que nunca foi boa torna-se agora "diabolizante".

As acusações vieram primeiro da boca do Presidente Angolano José Eduardo dos Santos, o grande visado de todas as manifestações populares, pois quer este grupo de activistas e outros grupos, que abandone o poder, pois segundo estes, o povo está a sofrer e somente um grupo de elite Angolana vive bem. Á frente do grupo de manifestantes está um jovem de nome Luaty Beirão, com quase todas as semelhanças do nosso rapper Azagaia. Beirão é também rapper, contestatário e "líder do grupo de contestatários ao regime Angolano" e que luta há muito tempo por "promover os verdadeiros valores da democracia em Angola".

Em Junho deste ano, Luaty e outros 14 ativistas foram presos inicialmente sem acusação formal. Mais tarde foram acusados de crimes contra a segurança do Estado e de violação das Leis sobre manifestações.

Ora, agora, o embaixador angolano em Lisboa acusou Portugal de utilizar o caso dos 15 ativistas detidos em Luanda, como «pretexto» para «diabolizar Angola», ironizando, depois, que em Portugal fala-se mais de Luaty Beirão, ativista que está em greve de fome há 35 dias, «do que do Papa Francisco».

Em declarações ao Jornal de Angola, o embaixador José Marcos Barrica condena a «insistente diabolização de Angola» por parte de alguns «setores maléficos» da sociedade portuguesa, acrescentando ainda que "não há noticiário televisivo que não aborde a questão".

«O problema do cidadão Luaty é apenas um pretexto para fazer ressurgir aquilo que em Portugal sempre se pretendeu: diabolizar Angola», palavras do embaixador José Marcos Barrica. Recorde-se que Luaty embora seja um puro Angolano, obteve a nacionalidade portuguesa por razões de conveniência por se encontrar a estudar em Lisboa e ter avós portugueses.

Na mesma declaração, o diplomata diz que em Portugal está em curso «uma campanha para denegrir a imagem de Angola e abafar as suas conquistas alcançadas ao longo dos 40 anos de independência, por causa de um indivíduo que em Portugal é mais falado que o Papa».

Embora parte do que diz Barrica seja verdade, pois os Media Portugueses não param de cobrir o caso, não se percebe bem o porque do regime Angolano manter presos os ativistas, pois é exatamente desta forma que o assunto continuará tema de abordagem para a media.[MC]

Nos últimos 36 dias, Luaty Beirão está de greve de fome e há cerca de 7 dias foi internado em estado grave numa clínica em Luanda .No entanto Luaty quer deixar a clínica Girassol e voltar à cadeia de São Paulo, em Luanda, pois diz que não quer ser tratado de forma nenhuma diferente dos outros 14 ativistas que estão presos com ele. isto no mesmo diz em que a sua mulher, Mónica Almeida, lhe escreveu uma carta, em que revela a sua preocupação pela degradação do estado de saúde de Luaty e admiração pela sua luta, o activista angolano voltou a repisar que não quer tratamento de excepção.

Na carta, com o título "Ao herói da minha vida", Mónica Almeida apela ao marido para que ponha fim à greve de fome, expressando a sua admiração por Luaty. "Quero-te presente e bem vivo para que possas transmitir esses valores bem vincados à nossa pequena Luena", diz, sobre a filha de 2 anos.[MC]