Internacional

Emissário da ONU diz que Líbia não precisa de ninguém para "se suicidar"

2019-05-23 14:16:34 (UTC+01:00)

O emissário da ONU para a Líbia, Ghassan Salamé, alertou que embora existam várias intervenções externas no conflito no país, este não precisa de ninguém para "se suicidar".

Falando numa conferência que decorreu na quarta-feira no Instituto Internacional para a Paz (IPI na sigla em inglês) em Nova Iorque, Salamé lamentou ainda a falta de reação da comunidade internacional face à degradação da situação naquele país rico em petróleo.

O actual confronto, que opõe as forças do Governo de Acordo Nacional, reconhecido pela comunidade internacional, ao Exército Nacional Líbio proclamado pelo marechal Khalifa Haftar, homem forte do leste do país, "não acabará por si só se nada for feito para lhe pôr fim", disse.

No entanto, "a sua evolução não depende dos que enviam dinheiro (...) para alimentar o conflito", considerou, adiantando: "a verdade é que a Líbia pode financiar o seu próprio suicídio".

O diplomata libanês lembrou que a Líbia, que mergulhou no caos após a queda da ditadura de Muammar Kadhafi em 2011, produz "12 milhões de barris (de petróleo) por dia".

"É um país muito rico, logo (o conflito) pode prolongar-se", disse Salamé, precisando que tal não significa a ausência de intervenções externas, pelo contrário, e adiantando que até agora existem "de seis a 10 países que interferem", "a diferentes níveis".

"Pode começar por um apoio político", "pode ser vender armas" ou "fornecer assistência técnica militar" e ir "até à intervenção direta no conflito para apoiar o seu 'representante'", exemplificou.

Insistiu que a comunidade internacional deve trabalhar para acabar com o conflito, lamentando a propósito "a ausência de unidade no Conselho de Segurança" da ONU sobre a questão.

Numa intervenção na terça-feira no Conselho de Segurança, Salamé disse temer "uma guerra longa e sangrenta" na Líbia. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a ofensiva do marechal Haftar para tomar Tripoli desencadeada a 4 de abril já causou mais de 510 mortos e 2.467 feridos.

Mais de 75.000 pessoas terão sido obrigadas a deixar as suas casas, de acordo com a ONU.