Internacional

Exército do Burkina Faso quer desarmar apoiantes do golpe

2015-09-22 12:20:10 (UTC+01:00)

Os chefes do exército do Burkina Faso ordenaram ontem, aos soldados apoiantes do golpe de estado para deporem as armas enquanto as tropas se dirigem a Ouagadougou, a capital do país, para os desarmar.

A ordem foi dada enquanto cresce a fúria sobre as conversações de paz para pôr fim à recente crise naquele país do interior do continente.

"Todas as forças armadas nacionais estão a convergir para Ouagadougou com o único objectivo de desarmar a guarda presidencial sem derramamento de sangue", disse fonte do exército em comunicado.

"Estamos a pedir-lhes para deporem as armas e irem para o quartel de Sangoule Lamizana, onde eles e as suas famílias estarão em segurança", disse o documento, referindo-se ao quartel na zona ocidental da capital.

Uma fonte militar disse que os soldados se dirigem a Ouagadougou a partir de Bobo Dioulasso, a segunda maior cidade do país, e das cidades vizinhas de Dedougou, Kaya, e Fada N’Gourma, no leste, e Owahigouya, no norte.

O Burkina Faso mergulhou em turbulência quarta-feira quando membros do poderoso Regimento da Guarda Presidencial (RGP) leais ao deposto presidente Blaise Campaore detiveram o presidente interino, Michel Kafando, e o Primeiro-Ministro, Isaac Zida.

O RGP, uma unidade de elite composta por 1.300 homens, declarou um golpe de estado dia seguinte e colocou o General Gilbert Diendere, um forte aliado de Campaore, como o novo líder do país.

Pelo menos 10 pessoas foram mortas e mais de 100 foram feridas em manifestações de protesto provocadas pelo golpe de estado, que acontece a poucas semanas das primeiras eleições presidenciais e legislativas desde o derrube de Campaore por uma revolta popular em Outubro do ano passado, quando tentou se candidatar a mais um mandato, depois de 27 anos no poder.

Na sequência do golpe, o presidente do Senegal, Macky Sall, na presidência rotativa da Comunidade dos Estados da África Ocidental (ECOWAS), conduziu três dias de mediação num hotel de Ouagadougou, que produziu um plano de 12 pontos para pôr termo à crise.

O plano da ECOWAS recomendou domingo eleições presidenciais e legislativas a ter lugar no máximo até 22 de Novembro. Os candidatos pró-Campaore poderão participar: eles tinham sido excluídos do escrutínio que tinha sido marcado para 11 de Outubro.

Na segunda-feira, grupos de jovens ergueram barricadas e queimaram pneus nas estradas nos bairros de Zogona e Tampouy, em Ougadougou. “Abaixo a ECOWAS!” gritavam e cantavam slogans hostis ao RGP e ao seu comandante. [FM]