Internacional

Haftar deixa Moscovo sem assinar acordo de cessar-fogo permanente

2020-01-14 07:09:44 (UTC+00:00)

O comandante do Exército Nacional Líbio (LNA), o marechal Khalifa Haftar, deixou Moscovo sem assinar o acordo de cessar-fogo permanente, noticiou hoje a agência oficial de notícias russa RIA Novosti, citando fonte líbia.

"O marechal Haftar deixou Moscovo. Não assinou o acordo", disse a mesma fonte. O documento foi assinado pelo líder do Governo de Acordo Nacional reconhecido pela ONU, Fayez al-Serraj, após uma maratona de negociações, na segunda-feira, na capital russa.

"Haftar e o presidente do Parlamento de Tobruk, Aguila Saleh, reconhecem o valor do documento e pediram um pouco mais de tempo, até amanhã de manhã, para decidir se o assinam", tinha dito na segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov.

As negociações foram mediadas por Moscovo e Ancara e não há informações de uma reunião conjunta entre Haftar e Al-Serraj.

De acordo com o documento, ambas as partes se comprometeriam a assegurar o "respeito incondicional" pelo fim das hostilidades que entrou em vigor no domingo.

Também concordariam com a delimitação de uma linha de contacto, que seria acompanhada de medidas para estabilizar a situação no terreno, nomeadamente a cessação de todas as ações ofensivas e uma desecalada das tensões militares.

Além disso, o documento, que foi publicado na rede social Twitter por um representante do Governo de Acordo Nacional (GAN), obriga o governo e os rebeldes a garantir o acesso e a entrega segura da ajuda humanitária.

As negociações acontecem após uma trégua proposta pela Rússia e pela Turquia, que começou no domingo e é o primeiro intervalo nos combates em meses, apesar de indicações de que houve algumas violações de ambos os lados.


A Líbia mergulhou no caos após a guerra civil de 2011 que derrubou e matou o ditador Muammar Khadhafi.

O marechal Khalifa Haftar é apoiado pela Rússia e pelos principais países árabes, incluindo Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

Turquia, Itália e Catar apoiam o governo de Tripoli, que enfrentou uma ofensiva pelas forças de Haftar, que se aproximaram da capital.