Internacional

Hissène Habré está novamente em tribunal

2015-09-08 11:29:49 (UTC+01:00)

O julgamento do ex-presidente do Chade retomou ontem de manhã, em Dacar. Acusado de crimes contra a humanidade, ele foi levado, mais uma vez, à força para a audiência. Habré denuncia o julgamento como uma paródia de justiça.

O julgamento de Hissène Habré no tribunal especial africano, instalado na capital do Senegal, recomeçou ontem tal como foi suspenso, por 45 dias, em Julho último: um arguido “reguila”, que “proíbe” os seus advogados de entrar na sala de audiências e se recusa a falar aos defensores nomeados pelo tribunal.

“Abaixo, abaixo”, estas foram as primeiras palavras de Hissène Habré diante do Tribunal ontem. O ex-chefe de Estado chadiano foi levado à força às 11.10 horas locais, a pedido do presidente do tribunal, pelos guardas prisionais de elite, encapuzados, porque ele se recusava a entrar na sala de audiência desde à sua chegada ao tribunal, por volta das 09.00 horas, segundo a RFI.

Após a sua entrada, alguns dos seus apoiantes sentados na primeira fila tentaram passar os cordões de segurança. A confusão durou cinco minutos e terminou com a expulsão de dez pessoas.

Depois, refere ainda a RFI, foram lidas as acusações. Três guardas foram obrigados a segurar com firmeza Hissène Habré, que, claramente, procurava sair da sala do tribunal.

Habré, conhecido como o “Pinochet Africano”, é acusado de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e tortura durante o seu regime.

O ex-presidente do Chade dirigiu-se ao juiz para afirmar, mais uma vez, que o tribunal não era legítimo para o julgar. O juiz que presidente o processo replicou: “Se vós concordais ou não, o tribunal exigiu e vós conheceis o adágio: a força continua a ser a lei”.

Não se sabe até onde irá esta reabertura do julgamento. Observadores perguntavam-se ontem quem irá defender Hissène Habré?

Os seus advogados oficiais estavam ausentes. Presentes estavam os nomeados pelo Tribunal no fim de Julho, mas que Hissène Habré se recusa a falar com eles.

“Habré não é nosso cliente, é um acusado que vamos defender”, disse Mounir Ballal antes de concluir: “É uma situação complicada mas iremos até ao fim do julgamento”.[FM]