Internacional

Insurgência armada à vista no Burundi

2015-07-14 06:27:41 (UTC+01:00)

O Presidente do Burundi, pode ter garantida a vitória na eleições presidenciais de 21 deste mês, mas ela poderá ser ofuscada pelo surgimento de uma insurgência armada no pequeno país situado no centro de uma das regiões instáveis de África.

Depois de semanas de protestos contra a intenção do presidente Nkurunziza disputar um terceiro mandato, um general envolvido no fracassado golpe de Estado de Maio último diz que está a mobilizar tropas, ao mesmo tempo que ataques com granadas atingem a capital e confrontos armados foram registados no passado fim-de-semana.

São sinais alarmantes numa nação marcada por anos de guerra civil.

"Caminha-se para o pior", alertou um diplomata ocidental citado pela Reuters

"A intervenção política para influenciar Nkurunziza para acabar com a sua campanha para um terceiro mandato falhou", disse, à Reuters, o general Leonard Ngendakumana, um dos líderes do abortado golpe de 13 de Maio.

"A única maneira de alcançar este objectivo é usar da força", sentenciou.

Em resposta, o porta-voz presidencial Gervais Abayeho disse que qualquer ameaça "será respondida com todo vigor pelas nossas forças de defesa e segurança."

"Há uma tendência clara para a resistência violenta", disse Thierry Vircoulon, especialista da International Crisis Group (ICG), uma ONG voltada à resolução e prevenção de conflitos armados internacionais.

"A oposição considera agora que a resistência armada é a única opção que lhe resta."

É nesse clima de pessimismo e risco de guerra civil, que o Presidente ugandês, Yoweri Museveni, lança a sua mediação.

Museveni designado, recentemente pela Comunidade da África Oriental (EAC), facilitador da crise burundesa, é esperado hoje ,dia 14, em Bujumbura.

O presidente ugandês foi precedido por uma equipa de centenas de militares que vão garantir a sua protecção na capital burundesa. [FM]