Internacional

Isabel dos Santos questiona política económica de João Lourenço

2018-09-14 05:43:42 (UTC+01:00)

A empresária Isabel dos Santos, afastada pelo Presidente de Angola João Lourenço da liderança da Sonangol, questiona as opções económicas do Chefe de Estado.

MAPUTO - Na rede social Twitter, a filha de José Eduardo do Santos questiona como é possível o país continuar mergulhado numa “profunda crise económica”, quando o barril de crude — a base da economia angolana — está há mais de um ano acima dos 80 dólares.
A empresária questiona “qual a estratégia” que está a ser seguida, já que são inúmeras as empresas angolanas que registam perdas financeiras enormes.

Angola está a negociar com o Fundo Monetário Internacional um um programa de assistência financeira para viabilizar o crescimento económico e reduzir o rácio da dívida. Segundo o ministro angolano da Economia, Pedro da Fonseca, as receitas fiscais não são suficientes para pagar a dívida pública este ano, que vai superar os 70% do PIB, este ano. Mas o rácio da dívida face às receitas fiscais é de 114%, segundo o responsável.

Em causa está um empréstimo do FMI de 3,9 mil milhões de euros, mas que virá trazer condicionantes. No entanto, o próprio Chefe de Estado já tentou desdramatizar o pedido de ajuda sublinhando que os programas do FMI “não são todos iguais”, realçando que o pedido de financiamento angolano não tem a gravidade do português. No final da visita oficial à Alemanha, a 23 de agosto, João Lourenço disse que Angola vai beneficiar do financiamento do Fundo “em condições melhores que o crédito de outros bancos, bancos comerciais”. “Vamos ganhar com isso, não temos receio, sabemos que quando se fala de FMI se tem a ideia de que é um bicho papão de que é preciso ter cuidado. Depende. Os programas do FMI não são todos iguais. Não estamos a falar de um resgate como o que aconteceu noutros países europeus, como Portugal ou a Grécia. Não é disso que se trata, é um outro tipo de ajuda financeira, que não tem a gravidade que tem um programa de resgate”, esclareceu.

O Presidente angolano vai reunir-se com o FMI em outubro e está prevista uma visitar da diretora geral do FMI a Angola em dezembro.

Há muito que economistas, instituições internacionais e agências de rating apontam a dependência de Angola das receitas petrolíferas como uma fragilidade, já que o país fica exposto à forte volatilidade nos preços desta matéria-prima. O programa do FMI ajudará a diminuir a dependência do petróleo e a diversificar a economia e a fiscalidade. Uma das novidades na calha é introduzir o IVA, uma mudança que deverá acontecer em 2019.[CC]