Internacional

Julgamento de Hissène Habré adiado para Setembro

2015-07-23 07:44:24 (UTC+01:00)

O julgamento de Hissène Habré acusado de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e tortura, foi adiado até 07 de Setembro próximo para permitir que os defensores oficiosos tomem conhecimento do dossier.

Esta é talvez a última luta de Hissène Habré, e o ex-líder rebelde e que se tornou chefe de Estado promete levar a batalha até ao fim. Ele não reconhece a Câmara Africana Extraordinária, o tribunal especial que o julga, recusa-se a assistir às audiências - para onde era conduzido à força.

Como bom senhor de guerra, ele resiste, na estratégia do silêncio, organiza a sua defesa, proibindo os seus dois advogados de entrarem no Tribunal.

Na terça-feira, o Tribunal designou para ele três advogados. “Ele irá recusá-los”, prediz o seu defensor François Serres, citado pela Rádio França Internacional (RFI).

“Ele (Habré) tem os seus advogados. Não se pode substitui-los por outros nomeados por um tribunal, pois que a lei senegalesa diz muito claramente que alguém que tenha advogados não precisa de defensores oficiosos. Estes advogados estão apenas para dar credibilidade a um sistema que nós consideramos injusto”, diz Serres, segundo a RFI.

Neste andar, o julgamento arrisca-se a tornar-se refém, inquieta-se William Bourdon, advogado das vítimas civis.

“Quando um acusado faz de tudo para torpedear um julgamento, como é o caso e a justiça quer organizar um julgamento justo é preciso que os direitos de defesa sejam exercidos, se necessário, mesmo contra a vontade do acusado”, explica Bourdon à RFI.

A estratégia de Hissène Habré é clara: posar como vítima de uma vasta coligação neocolonial. Mas, dizem observadores, a parte adversária dirá a última palavra. Apesar do adiamento, Souleymane Guengueng, fundador da Associação chadiana das Vítimas de Hissène Habré, continua confiante. [FM]