Internacional

Líder da oposição no Burundi participa na 1ª sessão da Assembleia Nacional

2015-07-28 08:40:27 (UTC+01:00)

O principal líder da oposição no Burundi, Agathon Rwasa, participou ontem na primeira sessão da Assembleia Nacional recém-eleita, dizendo que queria "participar do jogo" para ajudar o país a sair da crise.

Apesar de uma crise política sem precedentes desde o fim da guerra civil (1993-2006), desencadeada pela candidatura do Presidente Pierre Nkurunziza para um terceiro mandato, o regime burundês organizou eleições legislativas e municipais a 29 de Junho passado e uma presidencial 21 de Julho corrente.

Os três escrutínios, desacreditados pela oposição e quase toda a comunidade internacional, foram ganhas folgadamente pelo campo presidencial. Pierre Nkurunziza foi reeleito com mais de 69 por cento dos votos, segundo resultado oficiais provisórios sexta-feira (24) anunciados.

A oposição inteira, incluindo Agathon Rwasa, anunciou boicote às eleições, mas a comissão eleitoral manteve as suas candidaturas, tendo então recebido alguns votos.

"Temos de encarar os factos. O ‘forcing’ de Nkurunziza foi bem-sucedido", disse ontem Rwasa, explicando a sua presença numa das cadeiras da Assembleia.

"Agora, devemos abandonar à sua sorte todas as pessoas que votaram em nós, mesmo que os resultados publicados não sejam realistas?", questionou.

O anúncio no final de Abril da candidatura de Nkurunziza para um terceiro mandato provocou protestos populares violentamente reprimidos pela polícia e uma tentativa de golpe de Estado em meados de Maio. Mais de 80 pessoas morreram na violência desde o início da crise, que empurrou cerca de 170 mil burundeses, de acordo com a ONU, para os países vizinhos.

Após o fracasso de duas mediações das Nações Unidas, a Comunidade da África Oriental (EAC, que inclui o Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quénia e Burundi) pediu ao presidente ugandês, Yoweri Museveni, para tentar aproximar os dois lados através do diálogo.

"Enquanto as negociações não forem concluídas, vamos participando no jogo e crer que tudo será determinado pelo resultado do diálogo entre as partes", disse ontem, confiante, Rwasa, rejeitando estar a jogar com o pau de dois bicos. [FM]