Internacional

Mais de 30 rapazes morrem em ritos de iniciação na RSA

2015-07-22 07:44:24 (UTC+01:00)

As cerimónias tradicionais de iniciação na África do Sul resultaram na morte de 32 rapazes e na hospitalização de mais de 150, indicaram ontem as autoridades locais, quando a época anual de iniciação chegou ao fim.

A maioria dos adolescentes morreu em consequência de circuncisões mal feitas, disse Sifiso Ngcobo, porta-voz do ministério dos Assuntos Tradicionais, acrescentando que a circuncisão é um elemento importante da cerimónia que assinala a passagem de rapaz para homem.

“Outros morreram devido a espancamentos, desidratação ou exposição a condições anti-higiénicas”, precisou.

Das mortes, 27 ocorreram na rural e profundamente tradicional província do Cabo, onde Ngcobo referiu que mais de 150 rapazes foram hospitalizados com queimaduras, ferimentos graves na cabeça e, num caso, um pénis parcialmente amputado.

O ritual de passagem para a idade adulta inclui geralmente um retiro no mato de entre duas e quatro semanas e é encarado como um teste à resistência física.

A época dos rituais dura cerca de seis semanas e coincide com o pico do inverno na África do Sul. E todos os anos, há mortos e mutilados.

Uma comissão concluiu no ano passado que mais de 400 rapazes morreram e 500 mil foram hospitalizados depois de frequentarem as escolas de iniciação da época fria entre 2008 e 2013, sendo a maior causa complicações relacionadas com infecções pós-circuncisão.

As mortes têm sido largamente condenadas por instituições governamentais e entidades defensoras dos direitos culturais, embora algumas defendam os ritos de iniciação.

Em Junho último, a Polícia sul-africana salvou 11 adolescentes de circuncisão forçada, depois de os pais terem apresentado queixa que eles tinham sido raptados na rua.

Este ano, o Governo encerrou mais de 150 escolas ilegais, incluindo uma no Soweto, às portas de Joanesburgo. [FM]