Internacional

Moro diz que usará modelo da “Lava Jato” para combater crime organizado

2018-11-07 12:05:56 (UTC+00:00)

O juiz Sérgio Moro disse ontem que vai utilizar o modelo da operação “Lava Jato” para combater o crime organizado, quando assumir a liderança do Ministério da Justiça brasileiro do futuro governo de Jair Bolsonaro.

Ao falar na sua primeira conferência de imprensa desde 2014, o juiz afirmou ter aceite o convite do Presidente eleito, Jair Bolsonaro, para implementar no novo Governo uma "forte agenda anticorrupção" e "contra o crime organizado", segundo o ‘site’ de notícias G1.

Segundo Sérgio Moro, a sua ideia de actuação como ministro passa por replicar os métodos que adoptou na operação “Lava Jato” - que condenou o ex-Presidente do Brasil Lula da Silva -, usando ainda como exemplo a actuação do FBI (polícia federal dos Estados Unidos da América) no combate ao crime das máfias em Nova Iorque.

Sem revelar pormenores de como pretende actuar, o juiz esclareceu que vai apresentar uma série de propostas de combate ao crime organizado, pretendendo resgatar parte das "dez medidas contra a corrupção", uma proposta encabeçada pelo Ministério Público Federal.

"Na minha perspectiva, na minha visão, eu vou trabalhar numa função técnica, para fazer um trabalho técnico de um juiz no cargo desse ministério específico. Não tenho nenhuma pretensão de concorrer, em qualquer momento da minha vida, a cargos eleitorais, de subir a palcos", garantiu Moro.

O futuro ministro da Justiça adiantou que pretende chamar para a sua equipa membros que integraram os trabalhos da operação “Lava Jato”.

"Pretendo chamar para o ministério pessoas absolutamente qualificadas e, sim, nomes que trabalharam na operação “Lava Jato”, tanto por terem sido testados pela sua eficiência, quanto pela sua integridade. As indicações virão a seu tempo", declarou.

O tema da eventual perseguição política pela Justiça também foi abordado por Sérgio Moro, negando ter sido esse o caso da “Lava Jato”.

"Não existe a menor hipótese de utilização do ministério ou da Polícia para perseguição política. Não foi feito isso durante a operação “Lava Jato”. As pessoas foram condenadas por crimes de corrupção, de branqueamento de capitais e associação criminosa, com base em provas robustas e não pelas suas opiniões políticas. Não vai ser no ministério que eu vou começar a fazer isso", garantiu.

Sobre o processo contra o ex-presidente Lula, o futuro governante declarou que a condenação à pena de prisão não teve nenhuma relação com as eleições.

"Existe um crime que foi descoberto, investigado e provado e os tribunais apenas cumpriram a lei. Não posso pautar a minha vida num álibi falso de perseguição política", assegurou.

Quanto à data do convite para ingressar no governo de Bolsonaro, o juiz afirmou ter sido contactado por Paulo Guedes (futuro ministro da Economia) no dia 23 de Outubro, cinco dias antes da segunda volta das eleições presidenciais.

Moro irá assumir em Janeiro o comando da pasta da Justiça, que vai ganhar estatuto de “superministério”, depois de agregar várias áreas do governo, como a Controladoria-Geral da União e uma parte do Conselho de Controlo de Actividades Financeiras, além de acumular também o ministério da Segurança.

O responsável pelo processo “Lava Jato”, que levou à condenação do antigo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por corrupção, aceitou, na passada quinta-feira, ser ministro da Justiça na administração de Jair Bolsonaro.

Lula da Silva foi condenado por corrupção e encontra-se a cumprir uma pena de 12 anos de prisão em Curitiba.

No âmbito desta operação foram presos ainda outros importantes políticos e empresários brasileiros.