Internacional

Nkuruziza formaliza adiamento indefinido das eleições

2015-06-06 05:29:17 (UTC+01:00)

O Presidente burundês, Pierre Nkurunziza, assinou na noite de quinta-feira um decreto formalizando o adiamento indefinido das eleições legislativas e locais que deviam acontecer ontem.

Esta procrastinação pode facilitar o difícil diálogo entre os elementos do conflito político no Burundi, cujos resultados são imprevisíveis, dadas as rígidas posições de cada grupo e os prazos apertados.

As partes da crise política burundesa declararam estar abertas para retomar o “diálogo político”, escreveu ontem a “Jeune Afrique” (JA).

Em impasse há várias semanas, as discussões entre o campo do presidente Pierre Nkurunziza e o dos seus adversários devem ser retomadas na base do apelo dos países vizinhos para protelar por “não menos de um mês e meio” - em teoria até meados de Julho próximo o ciclo eleitoral que deveria começar ontem com as legislativas e comunitárias, seguidas das presidenciais (dia 26 deste Junho) e senatoriais (17 de Julho próximo).

O poder burundês ainda não fixou uma nova data, apenas adiou “sine die” as eleições. Mas se ele quer evitar um vazio institucional a sua margem de manobra é estreita: o mandato de Pierre Nkurunziza termina a 26 de Agosto próximo.

Se for respeitado o tempo de adiamento solicitado no passado domingo (31 de Maio) pela Comunidade da África Oriental (EAC) restariam apenas algumas semanas para entendimentos entre o campo de Nkurunziza e o dos seus adversários, que contestam o seu direito de disputar um terceiro mandato presidencial.

Facto novo, quer a Presidência quer a oposição política concordaram em inflectir as suas posições sobre o cerne da crise: as partes não fazem mais da manutenção ou retirada da candidatura de Nkurunziza uma pré-condição para o diálogo.

Assim, na mesa de discussões devem estar temas como liberdades civis e políticas e restauração de ambiente seguro, entre outros. Ambos os lados devem concordar com a reabertura das estações das rádios privadas, as manifestações anti-Nkurunziza, interditas mas quase quotidianas há mais de um mês em Bujumbura e a libertação dos contestatários detidos.

“Há grandes desafios, questões importantes, mas é preciso andar”, disse um diplomata, citado pela JA.

“Não há outra escolha a não ser dar oportunidade ao diálogo”, disse ele, lamentando o custo humano da violência “inaceitável” pelo menos 40 pessoas morreram - e as graves consequências da crise sobre a economia já abalada. [FM]