Internacional

Obama insta os africanos a rebelarem-se contra o “cancro da corrupção”

2015-07-27 07:18:27 (UTC+01:00)

O presidente norte-americano, Barack Obama, está desde a noite de ontem na Etiópia, após dois dias de visita ao Quénia, durante a qual falou da corrupção, da violência contra a mulher e os direitos dos homossexuais.

Barack Obama fez na manhã de ontem, em Nairobi, um discurso inspirador num espaço polidesportivo cheio de gente, cerca de 4500 pessoas, muitas das quais pagaram bilhete para estar ali.

Com um estilo terra-a-terra, o Presidente dos Estados Unidos foi dispensando conselhos.

Obama instou os africanos a rebelarem-se contra o “cancro da corrupção” que impede o desenvolvimento do continente.

“Há que tomar decisões difíceis, mas o progresso requer enfrentar os recantos mais escuros do passado”, acrescentou o Presidente norte-americano.

Os líderes políticos, a sociedade civil e os cidadãos deverão trabalhar juntos para reverter esta situação, defendeu, considerando que a luta contra a corrupção só será efectiva se houver “leis duras”, mas também “um povo que se levante e diga basta”.

A violência inter-étnica levou à morte de 1200 pessoas após as disputadas eleições quenianas de 2007 e Obama deixou o aviso de que a “política com base na etnia destruirá o país”. Falou também no desafio de lidar com os ataques da milícia radical somali Al-Shabaab, que tem protagonizado atentados violentos e de grande visibilidade.

O Presidente norte-americano voltou a prometer a ajuda dos EUA no combate ao terrorismo, como já tinha feito na véspera ao homólogo Uhuru Kenyatta.

A insistência em tratar as pessoas de formas diferentes traz sempre problemas, como tinha já sublinhado no dia anterior ao criticar a homofobia no Quénia e na maioria dos países africanos, que faz com que a homossexualidade seja ilegal.

Obama aproveitou para sublinhar que no século XXI “não há espaço” para as tradições que, em muitas partes do mundo, continuam a “oprimir” e a considerar as mulheres “cidadãs de segunda” e instou que sejam banidas as práticas que violam os direitos da mulher em todo o mundo.

“Maridos que batem nas mulheres, crianças que não vão à escola, casamentos forçados são tradições que precisam de mudar”, insistiu.

“Cada país e cada cultura têm as suas tradições que são únicas, mas só porque seja algo do passado não significa que esteja bem”, apontou Obama, que falava no país de onde nasceu o seu pai.

Os quenianos que assistiram ao discurso de Obama que foi chamado ao palco pela sua meia-irmã queniana, Auma ficaram convencidos, segundo a Agência Reuters.

Barack Obama deixou ontem o Quénia para a vizinha Etiópia, outra aliada chave do Ocidente em matéria de segurança, mas questionado internacionalmente no âmbito dos direitos humanos, para reunir-se com líderes locais e da União africana.

Amanhã Obama pronunciará um discurso em Addis Abeba, numa reunião da UA, e será o primeiro Presidente dos EUA a fazê-lo. [FM]