Internacional

ONU pede a Europa para não culpar os refugiados pelos atentados

2015-11-18 05:46:10 (UTC+00:00)

As Nações Unidas exortaram ontem os países europeus a não reagirem aos ataques de sexta-feira em Paris rejeitando ou culpando refugiados, a grande maioria dos quais está a fugir de perseguições ou conflitos.

“Estamos preocupados que alguns Estados reajam encerrando programas em implementação, voltando atrás em compromissos assumidos para administrar a crise de refugiados (ou seja, realocá-los) ou propondo a construção de mais barreiras”, disse a principal porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Melissa Fleming.

“Estamos profundamente perturbados com a linguagem que demoniza os refugiados como grupo. Isto é perigoso, já que irá contribuir para a xenofobia e o medo”, acrescentou.

Ela afirmou que o ACNUR está muito preocupado com o “ainda não confirmado” relato de que um dos autores dos ataques em Paris pode ter entrado na Europa no meio ao fluxo de refugiados.

A melhor reacção seria aprimorar de imediato os procedimentos de triagem na Grécia e na Itália e implementar o plano da União Europeia (UE) para realocar 160 mil refugiados.

“Acreditamos que, se isso tivesse sido feito desde o início, jamais teríamos visto nas nossas telas essas imagens de pessoas atravessando toda a Europa. Não teria resolvido, mas teria ajudado muito a administrar (o problema) ”.

Indagada se o ACNUR alertou para o risco de que um influxo de refugiados mal gerido poderia permitir que militantes se infiltrassem no continente, Melissa respondeu que a entidade avisou, em termos gerais, da importância da devida triagem.

O porta-voz de direitos humanos da ONU, Rupert Colville, afirmou que o maior grupo de pessoas que sofre nas mãos dos militantes do Estado Islâmico são muçulmanos da Síria e do Iraque.

“Se for permitido que esse ataque alimente a discriminação e o preconceito, estará caindo como uma luva para o Estado Islâmico”, disse. “Será que vamos fazer o trabalho deles por eles? Está claro que demonizar comunidades já marginalizadas é uma maneira estúpida de se agir”. [FM]