Internacional

Oposição ruandesa une forças contra terceiro mandato de Kagamé

2015-08-20 10:20:17 (UTC+01:00)

Cinco partidos da oposição ruandesa uniram forças contra o terceiro mandato do Presidente Paul Kagamé.

O Parlamento do Ruanda acaba de dar luz verde para uma reforma constitucional que permitiria Kagamé se apresentar como candidato na eleição presidencial de 2017.

A oposição ruandesa quer fazer ouvir a sua voz. Segundo a RFI, no final da semana passada, lançou, a partir da Bélgica, uma plataforma que junta a Forças Democráticas Unificadas (FDU), o partido PDP-Imanzi, o Partido Social Imberakuri (PSI) - os líderes dos dois primeiros partidos estão presos e o do terceiro acaba de ser libertado – e ainda o Congresso dos Povos Amahoro e o Congresso Nacional do Ruanda (RNC), cujos líderes foram assassinados.

Através desta plataforma, a oposição pede a comunidade internacional para fazer pressão sobre Kigali para fazer uma abertura do espaço político no Ruanda. A plataforma procura também mostrar que há de facto uma oposição ao projecto de reforma constitucional, validada a semana passada pela Assembleia Nacional ruandesa.

De 20 de Julho a 10 de Agosto os deputados da FPR (Frente Patriótica do Ruanda, no poder) realizaram “consultas populares” em todo o país para sondar os ruandeses sobre a alteração do artigo 101 da Constituição. Após essas “consultas”, o Parlamento estima que apenas cerca de uma dezena de pessoas em todo o país se opôs a essa mudança de Constituição.

Mas a oposição contesta. “Temos os nossos membros no Ruanda. Dos cinco partidos que assinaram (a plataforma), três estão representados no Ruanda e cada um tem mais de 10 mil membros. E essas pessoas, todas elas, são contra a emenda constitucional”, disse Jean-Damascene Munyampeta, secretário-geral do PDP-Imanzi, denunciando: "Há muitos ruandeses que não têm voz (...)”.

Desde a chegada da FPR ao poder, em 1994, são sufocadas as vozes discordantes no Ruanda. Muitos líderes das forças de oposição ou estão presos ou exilados, temendo pela sua vida.

Desde que foi lançado o movimento para um terceiro mandato de Kagamé, apenas o pequeno partido Democrático Verde, se tinha manifestado, até agora, contra a revisão da Constituição. [FM]