Internacional

Presidente do Burundi faz primeira aparição desde tentativa de golpe

2015-05-18 00:50:37 (UTC+01:00)

O Presidente Pierre Nkurunziza do Burundi fez ontem a sua primeira aparição oficial desde a tentativa de golpe contra ele, na semana passada, segundo testemunharam repórteres da AFP.

Pierre Nkurunziza sorriu e parecia relaxado enquanto cumprimentava a imprensa no palácio presidencial em Bujumbura. Ele fez apenas uma breve declaração aos jornalistas sem mencionar a crise política do país.

Nkurunziza falou apenas sobre supostas ameaças de militantes ligados ao grupo terrorista Al-Shabaab da Somália, que têm alertado para os ataques contra o Burundi e outros países que contribuem com tropas para a força da União Africana na Somália.

“Temos tomado medidas contra a Al-Shabaab. Levamos esta ameaça a sério”, disse o Presidente burundês.

Nkurunziza vem enfrentando semanas de protestos de rua violentos e mortais por causa da sua pretensão polémica de concorrer para um terceiro mandato consecutivo na presidência do país.

Na quarta-feira um grupo de generais anunciou um golpe de estado, enquanto ele estava numa visita à vizinha Tanzânia.

Mas na sexta-feira, os líderes do golpe, não tendo conseguido capturar a emissora estatal depois de violentos combates com as tropas leais, admitiram a derrota e alguns foram detidos e outros encontram-se em fuga, permitindo o regresso de Nkurunziza à cidade capital.

Ontem, segundo a Lusa, o Papa Francisco pediu ao Burundi para deixar a violência e actuar com responsabilidade.

“Queria convidar à oração pelo povo do Burundi que está a viver um momento delicado: que o Senhor ajude a todos a afastar-se da violência e actuar de forma responsável para o bem do país", disse o Sumo Pontífice no Vaticano.

A 25 de Abril, o partido no governo do Burundi, o Conselho Nacional para a Defesa da Democracia, anunciou que Nkurunziza iria apresentar-se como candidato às eleições presidenciais de Junho, para um terceiro mandato, apesar de a Constituição do país limitar a permanência no cargo a dois períodos de cinco anos.

A decisão de manter a candidatura levou a violentos protestos que já causaram a morte de, pelo menos, 20 civis e 12 soldados e que obrigaram mais de 100 mil cidadãos a abandonar o país. [FM]