Internacional

Presidente do Burundi oficializa candidatura a um 3º mandato

2015-05-09 10:53:01 (UTC+01:00)

O Presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, apresentou ontem, oficialmente a sua candidatura a um terceiro mandato presidencial, que causa desde há 14 dias protestos reprimidos com violência.

À sua chegada à Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Nkurunziza disse que as manifestações, que segundo ele se tornaram uma “insurreição”, serão “controladas dentro de pouco tempo”.

“Prometo-vos que as eleições vão correr bem”, adiantou, segundo a Agência France Presse (AFP).

Pelo menos 18 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas desde o final de Abril, quando o partido no poder, o CNDD-FDD, indicou Nkurunziza como candidato às presidenciais de 26 de Junho próximo, desencadeando protestos diários.

O Chefe de Estado foi eleito em 2005 pelo parlamento e uma segunda vez em 2010 por sufrágio universal, considerando os seus opositores que um terceiro mandato é anticonstitucional.

A União Africana (UA) também julga não haver espaço para um terceiro mandato de Nkurunziza.

O Tribunal Constitucional (TC) dá, porém, razão ao campo presidencial, argumentando que o primeiro mandato não contou, dado que Nkurunziza foi eleito pelo parlamento e não directamente pelo povo.

O vice-presidente do TC fugiu do Burundi após se recusar a assinar o acórdão e disse que os juízes foram alvo de ameaças.

Ao oficializar ontem a sua candidatura, Nkurunziza disse que a actual crise no país “não é nada comparado com o que se viveu em 1993-1994”, em referência à guerra civil, que terminou em 2006, após o acordo de Arusha.

“É algo que só afecta algumas áreas de Bujumbura, no resto do país as pessoas continuam a trabalhar calmamente, mais de 99 por cento do território do Burundi está em paz”, declarou o Presidente.

Entretanto, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) informou ontem que mais de 50 mil burundeses fugiram para os países vizinhos desde o início dos protestos pré-eleitorais.

O risco de a candidatura do Presidente Pierre Nkurunziza conduzir a violência em larga escala preocupa quer a comunidade internacional quer a regional, estando prevista uma cimeira regional no dia 13 próximo na Tanzania para tentar resolver a crise.

[FM- FOLHA DE MAPUTO]