Internacional

Presidente do Sudão do Sul assina hoje acordo de paz

2015-08-26 07:44:25 (UTC+01:00)

O Presidente do Sudão do Sul subscreve hoje, o acordo para pôr fim a 20 meses de guerra civil no país. O texto foi já assinado pelos rebeldes a 17 deste mês, mas Salva Kiir recusara na altura validá-lo.

"Os Presidentes queniano, Uhuru Kenyatta, ugandês, Yoweri Museveni, e sudanês, Omar al-Bashir, e o Primeiro-Ministro etíope, Hailemariam Desalegn vão reunir-se em Juba, quarta-feira (hoje) de manhã, para uma cimeira de um dia, durante a qual o chefe de Estado do Sudão do Sul vai assinar o acordo de paz", disse à agência noticiosa AFP Ateny Wek, o porta-voz de Kiir.

"O Governo (de Juba) manifestou algumas reservas mas o Presidente (Kiir) vai assinar", insistiu Ateny.

O Governo sul-sudanês se recusou a assinar o acordo no passado dia 17 deste mês justificando precisar de tempo para "consultas" no país. Depois o principal negociador de Juba Michael Makuei qualificou o acordo "de capitulação inaceitável".

Entre as preocupações do Governo, figuram as disposições do acordo que preveem a desmilitarização de Juba, a larga representação dos rebeldes no âmbito da partilha do poder local no estado petrolífero ao Alto Nilo e a atribuição da direcção da comissão de avaliação e controlo do acordo a estrangeiros, acrescentou.

A IGAD, organização sub-regional que garantiu a mediação das conversações sul-sudanesas em Addis Abeba, confirmou à AFP a realização da cerimónia de assinatura do acordo, em Juba.

O chefe dos rebeldes, o antigo vice-Presidente sul-sudanês Riek Machar, que assinou o acordo no passado dia 17 em Addis-Abeba, não estará presente na cerimónia, contudo, por questões de segurança, indicou o IGAD.

O Sudão do Sul, o mais jovem Estado do mundo, proclamou a independência em Julho de 2011, após 30 anos de conflito com Cartum.

O país voltou a mergulhar na guerra em Dezembro de 2013, quando os combates deflagraram entre o Exército sul-sudanês, minado pelas divergências político-étnicas alimentadas pela rivalidade entre Kiir e Machar.

O conflito, marcado por massacres da população civil, causou dezenas de milhares de mortos, de acordo com observadores. [FM]