Internacional

Presidente sul-sudanês assinou o acordo de paz

2015-08-27 14:28:40 (UTC+01:00)

O Presidente sul-sudanês, Salva Kiir, assinou o acordo ontem, exprimindo “sérias reservas” sobre várias cláusulas nele contidas.

Um acordo de paz já ractificado pelos rebeldes, visando acabar com 20 meses de guerra civil no Sudão do Sul. Na véspera, o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas fizera pressão sobre o presidente sul-sudanês, avisando que estava pronto para “agir imediatamente” caso as autoridades de Juba não assinassem o acordo.

“A paz que assinamos hoje (ontem) contém tantas coisas que devemos rejeitar, ignorar tais reservas não seria no interesse de uma paz justa e duradoura”, declarou Kiir, segundo a AFP, antes de assinar o documento perante dirigentes da região, em Juba, capital do Sudão do Sul.

Criticando “cláusulas prejudiciais” do acordo, Kiir entregou aos mediadores e aos dirigentes da região um documento de 12 páginas sobre as reservas do seu Governo. Não precisou os pontos em causa, mas assegurou que seriam divulgados.

Segundo responsáveis sul-sudaneses, a desmilitarização de Juba ou a larga representação acordada aos rebeldes no quadro da partilha do poder local no Estado petrolífero do Alto Nilo colocam problemas.

Este acordo “não é nem a Bíblia, nem o Corão, porque é que não poderá ser reanalisado?”, questionou Kiir. “Deem-nos tempo para ver como podemos corrigir estas coisas”, adiantou, embora os mediadores tenham afirmado que o acordo é definitivo e não alterável.

O “Acordo de Resolução do conflito no Sudão do Sul” foi assinado a 17 de Agosto corrente em Addis Abeba pelo antigo vice-Presidente Riek Machar, chefe dos rebeldes que enfrentam as forças governamentais desde Dezembro de 2013. Kiir se recusou a assinar o acordo na mesma altura e pediu 15 dias para “consultas”.

O chefe dos negociadores da parte governamental sul-sudanesa, o ministro da Informação, Michael Makuei, qualificou o acordo de “capitulação inaceitável”.

Kiir criticou ainda “as mensagens de intimidação” que recebeu, numa referência às ameaças de sanções evocadas pela comunidade internacional.

Após uma reunião dedicada à crise no Sudão do Sul, o Conselho de Segurança (CS) da ONU expressou, na terça-feira (25), a sua prontidão para agir imediatamente caso o Presidente Kiir não assinasse o acordo ontem, tal como se tinha comprometido.

“Vamos tomar acções imediatas caso ele (Kiir) não assine, ou caso assine com reservas”, avisara a embaixadora nigeriana na ONU, Joy Ogwu, que preside ao Conselho este mês.

Os Estados Unidos apresentaram um projecto de resolução que visa impor um embargo de armas e outro tipo de sanções ao regime de Juba, caso Kiir se recusasse a assinar o acordo. [FM]