Internacional

Primeiro-ministro do Lesotho demite-se por suspeita de assassinato

2020-05-19 08:40:41 (UTC+01:00)

O primeiro-ministro do Lesotho, Thomas Thabane, anunciou ontem a sua demissão, um desfecho há muito esperado, depois de vários meses de crise política causada pela suspeita do seu envolvimento no assassinato da ex-mulher, em 2017.

"Decidi anunciar-vos pessoalmente a minha demissão do cargo de primeiro-ministro do Lesotho. Queria que o ouvissem da boca do cavalo", disse Thabane à imprensa, na sua residência.

Porém, o chefe do executivo não especificou se a sua retirada será imediata.

No poder há quase três anos, Thomas Thabane, de 80 anos, tem sido contestado, desde que a justiça levantou a suspeita de que possa estar ligado ao assassinato da sua ex-mulher, em 2017, ocorrido alguns dias antes de tomar posse.

Pressionado pelo seu próprio partido, a Convenção de todos os Basoto (ABC) e a coligação governamental, o primeiro-ministro há muito que tem resistido a deixar o cargo e, até agora, só se comprometeu a sair "até ao final de julho".

No mês passado, colocou o exército nas ruas da capital, Maseru, para "restaurar a ordem" face aos seus inimigos políticos.

Mas os seus apoiantes retiraram-lhe oficialmente a confiança na semana passada, na Assembleia Nacional, e propuseram a nomeação de um novo chefe de Governo, o atual ministro das Finanças, Moeketsi Majoro.

O anúncio da demissão do primeiro-ministro surgiu hoje, após a aprovação oficial da nomeação de Majoro pelo Conselho de Estado e que deverá ser validada pelo parlamento quando este retomar os trabalhos, a 22 de maio.

O Lesotho, um enclave no meio do território da África do Sul, tem uma história política instável, desde a sua independência em 1966, pontuada por golpes militares.