Internacional

Putin aponta dedo acusador a NATO pelo caos na Líbia

2015-06-12 11:07:50 (UTC+01:00)

A destruição da Líbia como Estado é resultado da intervenção militar da NATO em 2011, declarou o Presidente Vladimir Putin.

"É claro que o que ocorre actualmente na Líbia é uma consequência directa da catástrofe económica e social e dos incessantes ataques de grupos radicais. Não há dúvida que somos testemunhas de uma verdadeira desintegração da Líbia como Estado, que é resultado da intervenção militar de 2011", disse, na quarta-feira (10), Putin em conferência de Imprensa após um encontro com o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, em Roma.

Segundo a agência Sputnik, o líder russo afirmou ainda que Moscovo apoia uma solução exclusivamente pacífica para o conflito líbio, com participação de actores regionais e organizações internacionais.

A diplomacia da Rússia expressou seguidas vezes que a situação actual na Líbia é outra amostra de que o discurso ocidental sobre os direitos humanos e os valores democráticos não passam de uma cortina de fumaça para ocultar a sua estratégia agressiva em relação a outros países.

Depois da queda do regime de Muammar al-Kadhafi, em 2011, a Líbia mergulhou numa profunda crise política. Há, no país, várias milícias regionais e tribais que, em algumas regiões, contam com armamentos melhores do que a Polícia local.

Por outro lado, o país vive numa dualidade de poder: por um lado, o Parlamento eleito, com sede em Tobrouk, e o governo de transição dirigido por Abdullah al-Thani; por outro, o Congresso Geral da Nação de tendência islâmica, com sede em Trípoli, e o primeiro-ministro eleito por esse congresso, Omar al-Hasi.

Várias regiões da Líbia estão fora do controlo dessas duas autoridades “centrais” e entre os muitos grupos armados em actuação no país alguns juraram fidelidade ao Estado Islâmico, que controla territórios consideráveis na Síria e no Iraque.

Várias iniciativas patrocinadas pelas Nações Unidas e pelos países vizinhos tentam promover o estabelecimento de um governo de unidade nacional (GUN), visto como primeira etapa na busca da estabilidade do país norte-africano. [FM]