Internacional

Rebeldes da CMA assinaram acordo de paz inter-maliano

2015-06-22 04:35:49 (UTC+01:00)

Em pleno Ramadan, os grupos rebeldes da Coordenação dos Movimentos de Azawad (CMA) assinaram no sábado, em Bamako, o acordo de paz inter-maliano.

A assinatura termina mais de três anos e meio de conflito e quase um ano de negociações. Uma cerimónia forte em imagens, de acordo com a RFI, que foi seguida por um “Iftar” (quebra de jejum) entre antigos beligerantes no Palácio Presidencial de Koulouba.

O acordo de paz foi assinado em nome da CMA, que integra os principais grupos rebeldes maioritariamente tuaregues do norte do Mali, por Sidi Ould Brahim Sidati, um dirigente do Movimento Árabe do Azawad (MAA), numa cerimónia com a presença do Presidente maliano, Ibrahim Boubacar Keita, do chefe da missão da ONU no Mali, Mongi Hamdi, e do Ministro dos Negócios Estrangeiros argelino, Ramtane Lamamra, líder da mediação internacional nas conversações inter-malianas, que saudou “um novo começo” para Mali.

Gritos de saudação irromperam na sala de conferência quando Ould Sidati assinou os documentos.

A gravidade da cerimónia, que marcava um “momento histórico” do país, foi quebrada e, segundo a RFI, o ambiente parecia o de uma reunião de família. Na sala todo o mundo se conhecia e brincava, gritando “Viva o Mali! Viva a Azawad!”.

Quando o hino nacional do Mali soou, toda gente estava de pé, até mesmo os rebeldes da CMA, cujo nome falou Mahamadou Djeri Maiga.

“A paz” disse o vice-presidente do Movimento de Libertação Nacional Azawad na tribuna “este bem precioso que o mundo inteiro procura é hoje essencial para o Mali, em geral, e para a região de Azawad, em particular.”

E o ex-rebelde caiu num abraço com o Presidente Ibrahim Boubacar Keita, antes deste, por sua vez, falar e evocar “um dia maravilhoso” e lançar uma promessa: “Vamos garantir que ninguém fique desapontado. Este acordo é resultado de uma vontade comum dos filhos de um país para conseguir uma solução justa e imparcial numa situação difícil”.

Após esta cerimónia os membros da delegação do CMA foram convidados com outros participantes ao Palácio Presidencial de Koulouba para quebrar o jejum.

Discussões sobre política e religião foram assim alimentando a conversa durante a noite das várias centenas de comensais reunidos em torno de várias mesas. [FM]