Internacional

Tribunal recusa recurso e Zuma vai mesmo a julgamento

2021-01-23 11:11:50 (UTC+00:00)

A justiça sul-africana rejeitou ontem a contestação do grupo francês Thales à acusação de extorsão relacionada com um contrato de armas de 1999, o que permite que avance o julgamento por corrupção do ex-presidente do país Jacob Zuma.

O antigo presidente sul-africano, no poder entre 2009 e 2018, enfrentará 16 acusações de fraude, tráfico de influência e extorsão, relacionadas com a compra de aviões de caça, barcos de patrulha e equipamentos militares da Thales, quando era vice-presidente de Thabo Mbeki.

Zuma é acusado de ter recebido cerca de quatro milhões de rands em subornos, como parte de um contrato global com a gigante francesa do setor da defesa e aeroespacial.

A Thales, que também é acusada de corrupção, extorsão e branqueamento de capitais no caso, tinha contestado a acusação de extorsão, em 2020, por falta de provas.

Mas, esta sexta-feira, um tribunal sul-africano indeferiu o pedido, disse o Serviço Nacional de Procuradoria (NPA) da África do Sul, eliminando, deste modo, um dos últimos obstáculos legais ao julgamento.

Assim, as primeiras audições deverão começar no próximo mês.

"A NPA congratula-se com a decisão do Supremo Tribunal de Pietermaritzburg [Leste do país] de rejeitar o pedido do grupo de armamento francês Thales", disse o seu porta-voz, Sipho Ngwema, num comunicado emitido através da plataforma WhatsApp.

A Thales South Africa disse à agência de notícias France-Presse que "tomou nota" da decisão e está a "estudar a decisão e as opções legais para possíveis novas medidas".

O grupo "irá defender-se de todas as acusações no julgamento", acrescentou a empresa numa resposta por e-mail.

Tanto Jacob Zuma como o grupo francês, que será defendido por Barry Roux, que foi advogado da antiga estrela desportiva Oscar Pistorius, negaram sempre qualquer ato ilegal, fazendo repetidas tentativas de atrasar legalmente o processo.

Inicialmente previsto para maio de 2020, o julgamento foi adiado quatro vezes no ano passado por razões legais e por causa da pandemia de covid-19. Agora está previsto começar em 23 de fevereiro.

O antigo presidente tinha sido pressionado a demitir-se em 2018 pelo seu próprio partido, o ANC, após nove anos no cargo marcados por uma popularidade decrescente e múltiplas acusações de corrupção.