Internacional

Vencedor do Nobel da Paz é hoje anunciado

2020-10-09 08:16:52 (UTC+01:00)

O comité do prémio Nobel da Paz anuncia hoje o vencedor da edição de 2020, que sairá de uma lista de candidatos com 211 pessoas e 107 organizações, num ano de incertezas e desafios globais.

O laureado irá receber o prémio de dez milhões de coroas suecas (quase um milhão de euros), para além de um diploma e uma medalha.

A cerimónia de entrega do prémio acontecerá em 10 de dezembro, em Oslo, na Noruega, e contará com a presença de apenas cerca de 100 convidados.

Os especialistas em prémios Nobel inclinam-se para a hipótese de a pandemia de covid-19 poder servir de pretexto para a escolha deste ano, indicando a Organização Mundial de Saúde como um sério candidato, embora as críticas a que a organização - e o seu diretor-geral, Tedros Ghebreysesus - tem sido sujeita (nomeadamente pelo Presidente dos EUA, Donald Trump) na gestão da crise sanitária possa ser um forte empecilho.

Ainda neste cenário de a pandemia servir de justificação para o prémio, nas últimas horas, alguns analistas inclinaram-se para a possibilidade de a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Arden, poder sair vencedora, pela forma como serviu de exemplo no combate contra a propagação do novo coronavírus no seu país, mantendo um dos mais baixos níveis de contaminação.

A crítica à forma como o Presidente dos EUA geriu a pandemia pode servir, em sentido contrário, para diminuir as hipóteses de Donald Trump receber o prémio que ele próprio já disse merecer, embora seja um dos nomeados, por indicação de um congressista republicano.

A ativista Greta Thunberg também está indicada - mas será preciso que as questões ambientais dominem as preocupações do júri para que a jovem sueca seja escolhida - tal como o fundador da Wikileaks, Julian Assange, que está a ser julgado em Londres para saber se será extraditado para os EUA, onde é acusado de espionagem.

Outra ativista em destaque para o prémio é Loujain al-Hathloul, que tem lutado por reformas a favor dos direitos das mulheres na Arábia Saudita, tendo sido detida pela forma como demonstra as suas críticas ao regime dominado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

O líder da oposição russa, Alexey Navalny, que acaba de recuperar de um envenenamento na Sibéria (alegadamente cometido pelas autoridades do Presidente Vladimir Putin), também está na lista de nomeados, tal como o povo de Hong Kong, que se tem mobilizado em violentos protestos contra a nova lei de segurança imposta por Pequim a esse território semiautónomo.

As organizações não-governamentais Repórteres Sem Fronteiras e o Comité para a Proteção de Jornalistas estão na lista de nomeados, num ano em que muitos profissionais da comunicação têm visto o seu trabalho impedido ou a sua integridade física violentada.

Os especialistas também colocam na lista de potenciais vencedores o movimento Forças para a Liberdade e Mudança, do Sudão, onde uma revolução popular conseguiu afastar o Presidente Omar al-Bashir.

A Organização das Nações Unidas (ONU) e a Aliança Atlântica (NATO) também ocupam lugar de relevo, pelas suas insistentes tentativas em manter a paz em longos e duros conflitos, em diversos pontos do planeta, tendo sido ainda salientado o esforço diplomático pela paz feito pelo Governo alemão, pelo que a chanceler Angela Merkel surge igualmente na lista, a poucos meses de abandonar a liderança do seu Governo.