Nacional

Abrandamento da economia chinesa poderá afectar crescimento de Moçambique

2015-09-14 08:05:45 (UTC+01:00)

Um relatório compilado pela Fathom Consulting, uma empresa de consultoria baseada no Reino Unido, adverte sobre a possibilidade de Moçambique vir a sofrer um impacto negativo como resultado do abrandamento do crescimento económico da China.

MAPUTO - Nos últimos anos, a China vinha registando uma taxa de crescimento anual superior a oito por cento e, por isso, usava o seu forte poderio económico para investir pesadamente no continente africano e adquirir matérias-primas. Além disso, África também constituía um grande mercado para o consumo de produtos chineses.

Segundo a Fathom Consulting África, citada pela AIM, a China fornece muitas matérias-primas necessárias para alimentar o motor do seu crescimento económico. África também é um mercado sedento de produtos manufacturados na China, tendo as exportações daquele país asiático para a África aumentado quase 15 por cento nos 12 meses que antecederam a 2014. Isso superou as exportações para a Ásia, Europa e Estados Unidos'.

O relatório prossegue afirmando que 'para a África, a demanda da China por suas matérias-primas e o influxo de investimento directo estrangeiro serviu de fonte uma renda adicional. Recentemente, com a subida dos salários na China, os fabricantes daquele gigante asiático começaram a manufacturar parte da sua produção em África. Isso teve o condão de proporcionar empregos para os africanos, bem como servir de uma oportunidade para a aquisição de novas aptidões'.

O comércio entre a China e África disparou de apenas 10 biliões dólares no ano 2000 para atingir 220 biliões de dólares no ano passado, uma cifra três vezes superior ao volume do comércio entre o continente africano e os Estados Unidos.

Contudo, desde Junho do corrente ano as bolsas chinesas entraram em queda livre, forçando governo a desvalorizar a sua moeda, o renminbi. Receia-se que estes sejam sintomas da existência de problemas estruturais profundos na economia chinesa.

Aliás, os seus efeitos já se fazem sentir – estatísticas divulgadas em Julho revelam uma queda de 40 por cento no volume das importações da China para África comparativamente ao mesmo período do ano anterior.

A Fathom Consulting realizou um estudo da interligação de um grupo de 19 estados africanos e a China, tendo classificado cada país de acordo com o seu grau de exposição face ao abrandamento da economia chinesa. O referido estudo coloca Moçambique na oitava posição em termos de vulnerabilidade. [MCM]