Nacional

ACLLIN acusa União Europeia de ingerência

2015-10-01 15:33:52 (UTC+01:00)

A Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLIN) acusou hoje a União Europeia de ingerência nos assuntos de Moçambique ao pronunciar-se sobre incidentes com o líder do principal partido da oposição moçambicana, Afonso Dhlakama.

MAPUTO- O secretário-geral da ACLLIN, Fernando Faustino, é hoje citado pelo jornal Notícias a afirmar que a União Europeia (UE) ao referir que o líder da Renamo foi alvo de dois ataques recentemente na província de Manica está a tirar uma conclusão não assumida pelas autoridades.

A ACLLIN é presidida por inerência pelo líder da Frelimo e Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi.

"Afinal quem abriu fogo contra quem? Quem disse à UE que o visado nos ataques é Afonso Dhlakama? Qual a razão destes posicionamentos?", questionou o secretário-geral da associação de combatentes.

A UE considerou na segunda-feira, num comunicado divulgado em Bruxelas pelo serviço de Ação Externa, que "os dois recentes ataques que têm como alvo o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, são prejudiciais à estabilidade, ao progresso democrático e ao desenvolvimento económico do país", e pediu uma investigação "célere e completa" e que os responsáveis sejam levados a julgamento.

Fernando Faustino acusou as representações estrangeiras de silêncio quando foi a Renamo que atacou alegadamente alvos civis e militares, durante a guerra civil e nas hostilidades entre 2013 e 2014, aconselhando-as a deixarem os moçambicanos resolverem os seus problemas.

"Nós, combatentes da luta de libertação nacional, condenamos veementemente estes pronunciamentos e aconselhamos aqui e agora essas chancelarias para que deixem de interferir nos assuntos internos do nosso país", declarou ainda o secretário-geral da ACLLIN, convidando o líder da Renamo a sair do seu esconderijo e a reunir-se com o Presidente da República.

Na terça-feira, Fernando Faustino já se tinha pronunciado sobre os recentes incidentes com Afonso Dhlakama, considerando-o "um grande perigo para a sociedade" e defendendo que seja levado a tribunal. [FM]