Nacional

Afonso Dhlakama: “não quero que nos sintamos obrigados a governar à força”

2015-05-04 06:56:34 (UTC+01:00)

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, apelou à Frelimo para reflectir e viabilizar o projecto de autarquias provinciais, chumbado na última quinta-feira no parlamento, assegurando que não pretende usar a força e que "nada está perdido".

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, apelou à Frelimo para reflectir e viabilizar o projecto de autarquias provinciais, chumbado na última quinta-feira no parlamento, assegurando que não pretende usar a força e que "nada está perdido".

"Não quero que nos sintamos obrigados a governar à força, quero governar e nomear pessoas constitucionalmente", afirmou em Quelimane, província da Zambézia, o presidente do maior partido de oposição, citado este domingo pela televisão STV, na primeira reacção ao chumbo do projecto da Renamo, que pretendia, com a proposta, ultrapassar a crise política com o Governo desde as eleições gerais de 15 de Outubro.

"A Frelimo terá de recuar, porque a Frelimo não ganhou as eleições, tem de reflectir porque está a perder uma oportunidade", disse Dhlakama, considerando que o voto contra da bancada da maioria "foi um jogo sujo", após ter alcançado um alegado "acordo verbal" com o Presidente Filipe Nyusi.

Afonso Dhlakama afirmou que a Frelimo "quis brincar" e desconhece o que vai acontecer a seguir, avisando apenas que "a Renamo e o povo não vão recuar".

A Assembleia da República chumbou na quinta-feira o projecto de criação de autarquias provinciais, submetido pela Renamo.

Dos 236 deputados presentes na sessão plenária, a bancada maioritária da Frelimo chumbou a proposta, com 138 votos contra, enquanto 82 eleitos da Renamo e 16 do MDM votaram a favor.

O Projecto do Quadro Institucional das Autarquias Provinciais previa que a Renamo governasse em seis províncias do centro e norte do país (Sofala, Manica, Tete, Zambézia, Nampula e Niassa), onde o maior partido de oposição reclama vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro, num modelo de municípios alargados à escala provincial.