Nacional

Anadarko fechou 90% dos acordos para financiar operação no país

2015-08-27 07:05:01 (UTC+01:00)

A petrolífera norte-americana Anadarko já conseguiu 90 por cento dos acordos necessários para garantir o financiamento do projecto de gás natural em Moçambique, aguardando agora o aval do Estado, obrigatório para a exportação das descobertas.

MAPUTO - Em declarações à agência de notícias financeira Bloomberg, o diretor da Anadarko em Moçambique, John Peffer, disse que chegar à fase da decisão final de investimento "está ligada à rapidez com que conseguiremos ter o acordo do Governo" e considerou: "Eles estão motivados e nós estamos motivados".

Em causa está a garantia de financiamento para a construção de uma central de conversão do gás natural em líquido, cujo investimento deve rondar os 15 mil milhões de dólares, permitindo depois a exportação para outros países, nomeadamente asiáticos.

Os projetos africanos de arrefecimento do gás até ao estado líquido para serem enviados por via marítima enfrenta a competição dos Estados Unidos, que está a avançar nos projetos de exportação depois do forte aumento da produção em xisto, tradicionalmente mais barata que o precesso normal.

"Em última análise, o 'timing' para tomar a decisão final de investimento vai ser determinado pelo ritmo do Governo na aprovação da moldura legal e contratual e na aprovação das licenças necessárias", disse Peffer, acrescentando que o plano de desenvolvimento deve ser, assim, apresentado nos próximos meses.

A Anadarko, uma petrolífera baseada em Woodland, no Texas, está a avançar no investimento de 15 mil milhões de dólares numa altura em que outras grandes empresas do setor estão a adiar ou a cancelar grandes investimentos no seguimento do colapso nos preços do petróleo e consequente redução das receitas e dos lucros.

A Anadarko já garantiu acordos com compradores africanos para mais de 8 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, cerca de 90% dos contratos de que precisa para prosseguir com o projeto de 12 milhões de toneladas por ano, segundo Peffer, citado pela Bloomberg.

De acordo com a empresa e os seus parceiros, a Área 1 da costa de Moçambique pode ter reservas de 75 triliões de pés cúbicos, o que é suficiente para os gastos dos consumidores residenciais norte-americanos durante 15 anos, de acordo com os dados do regulador do setor da Energia dos Estados Unidos.[OD]