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Chissano e Dhlakama vão se encontrar na UCM

2015-09-12 16:34:44 (UTC+01:00)

A Universidade Católica de Moçambique (UCM) assinala na segunda-feira 20 anos com uma conferência, para a qual convidou o ex-estadista moçambicano Joaquim Chissano e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, à semelhança do que aconteceu na sua fundação.

MAPUTO - Sob o lema "promovendo a reconciliação e o desenvolvimento da sociedade moçambicana", o programa da conferência prevê, na segunda-feira de manhã na cidade da Beira, um painel dirigido por Chissano sobre as motivações do executivo que então liderava para legalizar a Universidade Católica de Moçambique (UCM) e à, tarde, o líder da Renamo falará sobre o papel da instituição na expansão do ensino superior no país.

A UCM nasceu na Beira, segunda cidade moçambicana, três anos após o Acordo Geral de Paz, assinado em Roma a 04 de Outubro de 1992 por Chissano e Dhlakama, sob a mediação da organização católica Comunidade de Santo Egídio, e que terminou 16 anos de guerra civil em Moçambique.

Os mesmos protagonistas participaram há duas décadas na fundação da UCM, que, segundo a instituição, nasceu justamente durante as negociações entre Governo e Renamo em Roma.

"Para desbloquear o impasse em que se encontravam as conversações, em Junho de 1992, o mediador Dom Jaime Pedro Gonçalves, arcebispo da Beira, lançou a ideia de uma universidade católica de qualidade, cuja vocação consistiria na promoção da paz e reconciliação através da oferta de um ensino de qualidade a todos os jovens moçambicanos, sem distinção de raça, etnia, origem social ou confissão religiosa", lê-se na história da UCM, divulgada na sua página eletrónica.

A Igreja tinha também a intenção de "corrigir a injustiça estrutural da concentração das instituições de ensino e formação superior exclusivamente em Maputo", capital do país, colocando-se ao "serviço do compromisso institucional de eliminar uma das causas do conflito armado".

Pertencente à Conferência Episcopal de Moçambique, a UCM tem sede na Beira, província de Sofala, e faculdades e delegações espalhadas pelo centro e norte do país, em Nampula, Pemba, Tete, Quelimane, Chimoio e Cuamba.[OD]