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CIP considera problemático contrato feito pelo Estado à Anadarko sobre negócio de gás

2015-11-17 05:47:01 (UTC+00:00)

O Centro de Integridade Pública (CIP), que fiscaliza a integridade nos actos do Estado, considera "problemáticos" os contratos que o Governo está a negociar com a petrolífera norte-americana Anadarko sobre o negócio de gás.

MAPUTO - Numa análise divulgada no fim de semana, o CIP diz que a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), que representa o Estado moçambicano nos consórcios dos projectos de recursos naturais, apenas começará a receber dividendos no consórcio com a Anadarko, no mínimo, após 20 anos do início da produção de Gás Natural Liquefeito (GNL), devido à incapacidade financeira da firma moçambicana de comparticipar nos custos do projecto.

"Para além de buscar financiamento para a sua participação, a Anadarko tem de buscar financiamento para a ENH. A Anadarko terá de convencer os seus accionistas da viabilidade da ajuda à ENH. A evidência dessa viabilidade passa por, para além do custo normal do capital, acrescentar uma taxa de retorno mais o risco associado", considera a ONG, citada pela Agência noticiosa Lusa.

O CIP considera que a parte do investimento que devia ser realizado pela ENH será suportada pela Anadarko, observando que essa fórmula vai prejudicar o Estado moçambicano.

"Esta pode ser uma medida prudente por parte do Governo moçambicano, mas é problemática, porque sairá muito caro ao Estado", frisa a análise da ONG.

Assinalando que o consórcio liderado pela Anadarko precisa de mobilizar 20 mil milhões de dólares , para a construção das fábricas de GNL, o CIP estima em 1,5 mil milhões de dólares o investimento a cargo da ENH.

"Para além de buscar financiamento para a sua participação, a Anadarko tem de buscar financiamento para a ENH. A Anadarko terá de convencer os seus acionistas da viabilidade da ajuda à ENH", lê-se na análise.

O consórcio liderado pela Anadarko é concessionário de uma área onde foram descobertas grandes reservas de gás na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, e está no processo de mobilização de fundos para passar à fase de desenvolvimento do projeto.

Além do consórcio da Anadarko, um consórcio da italiana ENI é também detentor de uma concessão de gás natural na região e está igualmente a reunir recursos para a produção de gás natural.[OD]