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Crise político-militar no país: EUA manifestam abertura da comunidade internacional para resolução

2015-10-04 20:05:26 (UTC+01:00)

O embaixador dos Estados Unidos em Moçambique, Douglas Griffiths, manifestou hoje a abertura da comunidade internacional para a resolução da crise política no país, considerando a situação preocupante 23 anos após o Acordo Geral de Paz.

MAPUTO - "A situação é preocupante. Em qualquer país, quando um membro da oposição está envolvido em atentados é sempre preocupante. A comunidade internacional está pronta para ajudar", disse citado pala Lusa Douglas Griffiths, falando em Maputo à margem da cerimónia da comemoração do acordo de Roma, assinado há 23 anos, encerrando uma década e meia de guerra civil.

Para Douglas Griffiths, a data que hoje se assinala remete os moçambicanos para uma reflexão sobre a necessidade da manutenção da paz, quando o país vive sob o espectro de uma nova guerra, com registo de três confrontações militares em três semanas, que levaram o líder da oposição para parte incerta.

"O diálogo é a única maneira de resolver o problema, não se pode usar violência", afirmou o diplomata norte-americano, acrescentando que este é o momento de o país aplicar as lições aprendidas há 23 anos e destacando o papel da cooperação entre as nações.

"Em qualquer situação, as pessoas as vezes pedem ajuda aos amigos", declarou Griffiths, lembrando que o seu país investiu mais de cinco mil milhões de dólares em projectos de cooperação nos últimos 20 anos.

Também Sven von Burgsdorff, chefe da missão da União Europeia em Moçambique, disse à Lusa que os últimos incidentes envolvendo a caravana do líder da Renamo colocam o país numa situação preocupante, considerando que os episódios precisam ser esclarecidos e os autores responsabilizados, como forma de o país criar um clima de paz e estabilidade, condição para o desenvolvimento.

"É necessário que o Governo e maior partido de oposição encontrem mecanismos para restabelecer a confiança, um elemento indispensável no processo do diálogo", considerou.

Para o chefe da missão da UE em Moçambique, a ausência de dirigentes do maior partido da oposição na cerimónia de hoje é um sinal de que o diálogo ainda constitui um desafio, um obstáculo que só pode ser ultrapassado se houver vontade entre os atores políticos.

"Nós [UE] estamos prontos para apoiar, como sempre fizemos, mas a solução é endógena e só pode ser encontrada nos próprios moçambicanos ", acrescentou o diplomata. [OD]