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"É natural que os jornalistas fiquem aterrorizados" Duma

2015-08-29 06:55:30 (UTC+01:00)

O presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Custódio Duma, considera que o assassínio do jornalista Paulo Machava, vem juntar-se a uma série de crimes impunes que ameaçam o Estado de direito.

MAPUTO- "Independentemente das razões que estão por detrás deste assassinato, se profissionais ou pessoais, foi assassinado um jornalista, a seguir a tantos outros assassinatos, e isso mostra que o crime organizado é uma ameaça ao Estado de direito em Moçambique", afirmou Duma.

Insistindo que é cedo para concluir que Paulo Machava foi assassinado na qualidade de jornalista, o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, frisou que o facto de a vítima ser muito conhecida pela sua atividade faz com que se espalhe o terror entre a classe jornalística.

"É natural que os jornalistas fiquem aterrorizados, principalmente enquanto não se souberem as razões por detrás do homicídio e, tendo em conta o facto de um outro jornalista muito respeitado, o Carlos Cardoso, ter sido assassinado em 2000, por razões relacionadas com o seu trabalho", salientou o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos.

Para o jurista, a circunstância de a morte do jornalista seguir-se a várias mortes de figuras conhecidas no país, como a do constitucionalista moçambicano de origem francesa Gilles Cistac, em 03 de Março último, mostra que o crime organizado está impune no país.

"A impunidade gera mais impunidade e parece que o crime organizado se sente à vontade perante as instituições que deviam combater o crime", observou Custódio Duma.

Paulo Machava foi ontem morto a tiro, nas primeiras horas da manhã, em Maputo, quando fazia a sua habitual corrida matinal, alvejado com quatro tiros, dois dos quais na cabeça e os restantes nas costas, na esquina entre as avenidas Vladimir Lenine e Agostinho Neto. [FM]