Nacional

Governo acusado de inviabilizar comícios de Dhlakama

2015-09-11 07:44:59 (UTC+01:00)

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, acusou o Governo de "perseguição e provocação" e de tentar inviabilizar os seus comícios no centro do país.

MAPUTO - "O bom é que sempre rejeitamos a guerra. Há muitas provocações, muitas mesmos (por parte da polícia anti-motim)", disse Afonso Dhlakama, citado pela Lusa, à sua chegada na quarta-feira a Chimoio, província de Manica, para uma visita de dez dias.

Afonso Dhlakama disse que 15 membros da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) ocuparam um campo municipal onde devia decorrer o seu comício, na segunda-feira, em Milange (Zambézia), forçando a transferência do encontro político para a sede do partido.

Na terça-feira, prosseguiu, um cordão policial vedou a ocupação de um campo de futebol em Mocuba, também na Zambézia, onde iria decorrer o comício do líder da Renamo, tendo depois ocorrido num lugar mais pequeno.

Já na quarta-feira, segundo Dhlakama, em Nicoadala, ainda na Zambézia, a UIR barrou com um camião-tanque a N1 a principal estrada que liga o centro e norte do país, acrescentando que a sua presença evitou confrontos entre a sua guarda e a força estatal.

"Eu sou adulto, sou general, sou líder e tenho muita experiência. Se eu quisesse responder a estas provocações estaríamos a contabilizar mortos. Em Nicoadala mataríamos mais de 40 homens (da UIR) na quarta-feira, com bazucas na estrada" declarou Afonso Dhlakama, que se auto-proclamou como a "chave da democracia".

O presidente da Renamo disse ainda que novos ataques em Tete fizeram 80 mortos ao longo da semana passada, em tentativas das forças governamentais na desactivação da sua base de Mucombedzi. A Renamo, afirmou, não teve nenhuma baixa.

O líder da Renamo disse esperar que o Presidente, Filipe Nyusi, e a Frelimo" se arrependam da arrogância" e coloquem em marcha os dois acordos de paz existentes e considera estarem a conduzir o país para uma nova "incerteza".

"Isto que vivemos hoje é a consequência da falta do cumprimento dos acordos de Roma (1992) e de Cessação das Hostilidades Militares (2014). Quando estávamos a negociar já prevíamos que o incumprimento dos acordos traria problemas. O perigo é que os problemas que deviam ter parado em 1992 continuam hoje, como se não tivéssemos assinado nada", sustentou Afonso Dhlakama.

O líder da oposição considerou ainda inaceitável o desequilíbrio socioeconómico entre os moçambicanos e a recusa de oportunidades para quem não comunga os ideais do partido no poder, em violação da Constituição.[OD]