Nacional

“Grupos armados não autorizados” preocupam mediadores do diálogo político

2015-09-04 07:11:49 (UTC+01:00)

Os mediadores das negociações entre o Governo e a Renamo estão preocupados com a lentidão na implantação do acordo de paz, um ano após a sua assinatura, considerando que "grupos armados não autorizados" ameaçam a estabilidade do país.

MAPUTO - "Nós estamos preocupados, os níveis de tensão social aumentam", disse citado pela agência Lusa o reverendo Anastácio Chembeze, que integra o grupo de mediadores das negociações de longo-prazo entre o Governo e o maior partido de oposição no centro de Conferência Joaquim Chissano, em Maputo.

Após 114 rondas negociais, as partes ainda não chegaram a um consenso sobre a desmilitarização do braço armado da Renamo, uma das principais cláusulas do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares, assinado a 05 de Setembro, e o partido de Afonso Dhlakama anunciou recentemente a suspensão das sessões de diálogo, apesar de a contraparte lamentar não ter sido notificada dessa decisão.

"Não podemos dizer que se trata de um rompimento, na medida em que não recebemos nenhum documento oficial, mas isso (a ausência da Renamo nas duas últimas sessões) preocupa-nos", salientou Anastácio Chembeze, reiterando que do diálogo depende a paz dos moçambicanos.

Dos pontos acordados durante as negociações destacam-se dois, nomeadamente a revisão do pacote eleitoral, acolhendo as exigências da posição, e a despartidarização do aparelho do Estado, embora ainda não convertido em lei no parlamento.

Para outro mediador, Dinis Sengulane, bispo jubilado da igreja anglicana em Moçambique e também pacificador da guerra civil dos 16 anos, uma das principais causas da lentidão do processo reside na desconfiança que ainda existe entre as partes, um elemento que ameaça a paz e a estabilidade do país.

"Nós precisamos tirar a desconfiança que ainda paira sobre as mentes das partes, e, infelizmente, esta desconfiança gera incertezas", afirmou Dinis Sengulane, acrescentando que só então será possível a desmilitarização da oposição.[OD]