Nacional

Investimentos no gás podem chegar a quase 31 milhões de dólares

2015-10-23 07:18:43 (UTC+01:00)

As multinacionais petrolíferas poderão investir 31 mil milhões de dólares (1.305.000.000 de meticais) nos projectos de gás na bacia do Rovuma, norte do país, anunciou ontem o presidente da estatal Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

MAPUTO - Omar Mithá apontou as perspectivas no sector do gás na bacia do Rovuma, falando numa conferência de imprensa durante o lançamento do 35.º aniversário da ENH, firma que gere as participações do Estado moçambicano no sector petrolífero.

Da verba projectada para os próximos anos, a maior parte, no valor de 10 mil milhões de dólares (435.000.000 de meticais), será destinada à construção de duas unidades de Gás Natural Liquefeito (GNL).

A maioria do investimento será canalizado para a Área 1 da bacia do Rovuma, concessionada a um consórcio dirigido pela companhia norte-americana Anadarko, acrescentou o presidente da ENH.

Omár Mithá disse esperar que a Anadarko tome uma decisão final sobre a sua operação em Moçambique até ao final do primeiro semestre de 2016, seguindo-se depois o acordo com os bancos que vão financiar o projecto.

Segundo Mithá, a construção das fábricas de GNL, no distrito de Palma, norte da província de Cabo Delgado, vai iniciar-se no próximo ano, com a duração de cinco anos.

O presidente da ENH adiantou que a sua empresa ainda não tem dinheiro para comparticipar no investimento, no qual detém 15% no consórcio liderado pela Anadarko.

Omar Mithá adiantou que 55% do investimento projectado para a área concessionada à Anadarko serão financiados através de empréstimos bancários e o restante pelo consórcio.

Em relação à Área 4, detida por um consórcio liderado pela italiana ENI e que inclui a portuguesa Galp, Mithá adiantou que serão necessários 7 mil milhões de dólares (304.500.000 de meticais), para a construção de uma plataforma flutuante de gás no mar, perto do local da exploração.

"Com todos estes investimentos, Moçambique vai aumentar a sua capacidade de exportação de gás e desenvolver a sua indústria, através da geração de projectos de energia, produção de fertilizantes e combustíveis líquidos. Isto vai aumentar a renda do Estado, criar oportunidades de emprego e proporcionar a provisão de serviços às empresas moçambicanas", assinalou Omar Mithá.

Também a ENI não tomou ainda a sua decisão final de investimento em relação à exploração de gás no norte de Moçambique.

Os dois consórcios descobriram reservas de gás que atingem cerca de 200 biliões de pés cúbicos de gás na bacia do Rovuma.

Além das reservas de gás descobertas na bacia do Rovuma, Moçambique tem também depósitos já em exploração pela firma petroquímica sul-africana Sasil, nos campos de Pande e Temane, na província de Inhambane, sul do país. [OD]