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Moody's avança que défice e incerteza no financiamento aumentam riscos para Moçambique

2015-06-15 12:26:42 (UTC+01:00)

A agência de notação financeira Moody's considera que os riscos do país contar já com as verbas do gás natural aumentaram por causa da deterioração orçamental, que ocorre num momento de incerteza global sobre o financiamento dos projectos.

MAPUTO - "O Governo estava 'a jogar' com o dinheiro do futuro, mas os riscos agora são mais elevados por causa da deterioração da posição orçamental, que ocorre num ambiente de maior incerteza global em termos de financiamento dos seus projectos de infra-estrutura, nomeadamente devido à possibilidade de a China abrandar o crescimento", afirmou uma das analistas da Moody's que segue a economia moçambicana.

Citada pela agência Lusa, Rita Babihuga sublinhou que o aumento da dívida pública de Moçambique é uma questão importante para analisar o futuro da economia do país, mas mostrou-se compreensiva no que diz respeito à evolução do país, principalmente tendo em conta o ponto de partida, que era "muito atrasado".

"É difícil para os países que atravessam a fase seguinte a um conflito interno, demora tempo até se encontrar a estabilidade, depois da destruição de vidas e de propriedade, mas também por causa da destruição institucional, que não pode ser desvalorizada".

Esta desvalorização institucional, que os analistas da Moody's consideram ser um dos quatro pilares que influenciam a análise da agência, chamado 'força institucional', "é muito baixa no caso de Moçambique, e está abaixo do nível dos seus pares regionais".

A 'força institucional', sublinha Rita Babihuga, é "uma espécie de moldura onde se constrói o sucesso económico", que no caso de Moçambique se revela nos "valores extraordinários de crescimento do PIB nos últimos anos, foi um dos que mais cresceu no mundo".

A seu favor, continuou, Moçambique tem a vantagem de ter uma economia mais diversificada que alguns dos outros 19 países africanos que a Moody's segue, tendo apostado nos serviços e no turismo para além do gás natural e no carvão.

A Moody's atribuiu ao país um 'rating' de B1 com Perspectiva de Evolução Estável, não se esperando, por isso, alterações na avaliação nos próximos 6 a 12 meses, embora a avaliação possa ser revista a qualquer altura, sem aviso prévio. [OD]