Nacional

Mtumuke nega participação do exército no ataque a comitiva de Dhlakama

2015-09-25 05:39:35 (UTC+01:00)

O ministro da Defesa de Moçambique, Salvador Mtumuke, negou o envolvimento das Forças de Defesa e Segurança, no ataque no passado dia 12 à comitiva do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, afirmando que "a natureza vai encarregar-se de fazer a justiça".

MAPUTO - "Quem garante a segurança do presidente da Renamo não são aqueles homens armados da Renamo que andam com ele, são as Forças Armadas de Defesa e Segurança, pelo que se quisessem assassina-lo, podiam tê-lo feito há bastante tempo", afirmou Mtumuke, em entrevista ao semanário Savana, publicada ontem.

Questionado se é possível o Governo desarmar o braço armado da Renamo à força, o ministro da defesa respondeu que "a natureza vai encarregar-se de fazer justiça, a própria idade vai determinar tudo e não terão mais habilidades para continuarem com as suas incursões".

Sobre as acusações da Renamo de que as FADM estão partidarizadas pela Frelimo, o ministro da Defesa remeteu a resposta ao papel do partido no poder da Frelimo na luta contra o colonialismo português e no período a seguir à independência do país.

"Não é possível falar de Moçambique sem mencionar o nome da Frelimo. A Frelimo é que criou as Forças Populares de Libertação de Moçambique para lutar contra o sistema colonial fascista português (...), pelo que o nome da Frelimo está sempre associado à história do nosso exército", assinalou Salvador Mtumuke.

Mtumuke rejeitou também as alegações da Renamo de que oficiais seus que integraram o exército unificado no âmbito do Acordo Geral de Paz assinado em 1992 estão a ser marginalizados.

"Hoje (quarta-feira), patenteámos seis oficiais-generais. Nesse grupo, havia oficiais vindos do governo e da Renamo. Há pouco, foram para a reserva, cinco generais vindos do governo, mas vocês nunca falam disso, só há barulho quando é alguém da Renamo. No exército, isso de partidos, não existe", frisou o ministro da Defesa de Moçambique.

A Renamo acusou o Presidente da República, Filipe Nyusi de ter dado ordens a oficiais do exército para matarem o líder da Renamo no ataque que a caravana de Afonso Dhlakama sofreu no dia 12 na província de Manica, centro do país.

Moçambique vive sob o espectro de uma nova guerra, devido às ameaças da Renamo de governar pela força nas seis províncias do centro e norte do país onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro do ano passado.[OD]