Nacional

Nyusi diz que “as armas nunca terminam a guerra”

2015-10-04 04:59:55 (UTC+01:00)

O Presidente da República, Filipe Nyusi, lamentou ontem que os esforços do Governo não tenham ainda trazido a paz ao país e considerou que "as armas nunca terminam a guerra".

MAPUTO - "Lamentamos que todos os esforços que têm sido empreendidos não estejam a ser compensados e valorizados com resultados", declarou o chefe de Estado, citado pela AIM, quando discursava na sua província natal, Cabo Delgado, durante a celebração do jubileu da Missão de Imbunho, em Mueda.

Filipe Nyusi passou em revista os seus sucessivos apelos à paz e ao diálogo com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que não é visto em público há mais de uma semana, após um incidente com a sua comitiva e troca de tiros com as forças de defesa e segurança, na província de Manica.

"É momento de reflexão sobre a paz, é momento de orarmos, é momento de perdoarmos", afirmou o Presidente moçambicano, acrescentando que "as armas nunca terminam a guerra", e que esta, por sua vez, "destrói infra-estruturas, destrói a natureza e o Homem".

A Missão de Santa Teresinha Coração de Jesus de Imbuho foi fundada em 1940 com a chegada dos padres holandeses, no âmbito de evangelização por religiosos holandeses no Planalto dos Macondes.

Segundo a AIM, o chefe de Estado estudou numa escola da Missão de Imbunho, por onde passaram nomes do nacionalismo moçambicano contra o colonialismo português, como o ex-ministro da Defesa Alberto Chipande e o actual, Salvador Ntumuke, bem como Raimundo e Marina Panichuapa e Lagos Lidimo.

A exortação à paz Filipe Nyusi, na véspera do 23.º aniversário da assinatura do Acordo Geral de Paz, que encerrou em Roma 16 anos de guerra civil, acontece num momento em que o país vive sob o espetro de uma novo conflito, devido às ameaças da Renamo de governar pela força nas seis províncias do centro e norte do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro do ano passado.

A violência política aumentou nas últimas semanas e na sexta-feira forças de defesa e segurança e militares da Renamo voltaram a confrontar-se no distrito de Gondola, província de Manica, com as duas partes a responsabilizarem-se mutuamente pelo começo do tiroteio.

Após este último incidente, que forçou a fuga de dezenas de habitantes na região, não houve registo ontem de novos confrontos, apesar da permanência no local de forças da polícia e presumivelmente também de homens armados da Renamo. [OD]