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“O general Marcos Mabote foi muito meu amigo” Dhlakama

2015-06-10 13:51:12 (UTC+01:00)

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama revelou em entrevista à Lusa que era “muito amigo” de Sebastião Marcos Mabote, um importante comandante da Frelimo, acusado de tentativa de golpe de Estado e informalmente associado ao movimento.

MAPUTO- “Marcos Mabote foi muito meu amigo, já em princípios da (década de) setenta, eu já havia passado à disponibilidade do exército português, para a vida civil, mas já havia contactos, quase em 1973, com a Frelimo, através de alguns comandantes jauas (uma etnia do norte de Moçambique”, afirmou Afonso Dhlakama, em entrevista à Lusa, a propósito dos 40 anos da independência de Moçambique, que se assinalam no dia 25 de Junho.

O dirigente máximo da perdiz afirmou que, enquanto militar do exército colonial português em missão na província do Niassa teve contacto com Sebastião Marcos Mabote, na altura comandante da Base Ngungunha, que a Frelimo operava durante a guerra de libertação do colonialismo português.

“Conheci alguns guerrilheiros da Frelimo em particular. Não queria dizer, mas vou dizer, o general Marcos Mabote, conheci-o durante a guerra, muitos não sabem, até quem vai ver esta entrevista, vai dizer, ´é por isso que Mabote parecia amigo da Renamo’”, contou Afonso Dhlakama.

Dhlakama aludia a rumores de que Sebastião Marcos Mabote mantinha contactos, já como chefe do Estado-Maior General do exército governamental da Frelimo, com a Renamo, quando este movimento movia uma guerra civil que durou 16 anos até à assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992.

Mabote acabou destituído do cargo de chefe de Estado-Maior General devido à incapacidade de as ex-Forças Populares de Libertação de Moçambique (FPLM) pararem o avanço da guerrilha da Renamo, pouco antes da morte do primeiro Presidente moçambicano, Samora Machel, em 1986.

Caído em desgraça, após a sua exoneração do cargo, e já regressado a Moçambique depois de ter sido enviado para ir estudar numa academia militar em Cuba, Sebastião Marcos Mabote viria a ser acusado de planear um golpe de Estado contra Joaquim Chissano, que sucedeu a Samora Machel, mas foi absolvido por falta de provas, em 1992.

Mabote perdeu a vida em 2001, vítima de afogamento, quando se encontrava a nadar, durante as férias.

Várias vezes, os dirigentes da Renamo ameaçaram, sem até hoje concretizar, provocar uma agitação na Frelimo, revelando os nomes de quadros do partido no poder que terão apoiado o movimento durante a guerra civil.

Na entrevista, o presidente da Renamo narrou que se juntou à guerrilha da Frelimo em 1974, pouco antes da assinatura do Acordo de Lusaca, com Portugal, tendo recebido treino militar num quartel em Boane e destacado para a sua província natal, Sofala, centro do país, onde assumiu a função de comandante provincial de Intendência Militar.

Nessa qualidade, Afonso Dhlakama ficou responsável pela logística que o exército colonial passou à administração da Frelimo, por força do Acordo de Lusaca, que definiu a transição para a independência de Moçambique em 1975.

Algum tempo depois, Dhlakama abandonou a Frelimo e juntou-se à Renamo, que se lançou em 1977 numa guerra civil contra o Governo. [FM]