Nacional

Renamo acusa Governo de limitar circulação de Dhlakama

2015-09-28 04:28:58 (UTC+01:00)

A bancada parlamentar da Renamo considerou ontem que os incidentes com a comitiva do presidente do partido revelam um plano para eliminá-lo, acusando o Governo de limitar a circulação de Afonso Dhlakama em violação dos acordos de paz.

Maputo - "Ambos os ataques foram protagonizados durante a circulação rodoviária da comitiva presidencial da Renamo em Manica, demonstrando claramente o intuito de assassinar o senhor presidente Afonso Dhlakama", refere um comunicado da bancada parlamentar da Renamo.

O último incidente aconteceu ao fim da manhã de sexta-feira, na Estrada Nacional 6 (EN6) em Zimpinga, distrito de Gondola, quando a comitiva do líder do maior partido de oposição seguia para Nampula.

O líder da Renamo disse citado pela Lusa, que se tratou de uma emboscada, mas a polícia rebateu esta versão, sustentando que foi a comitiva de Dhlakama que provocou o incidente ao assassinar o motorista de um “chapa” (carrinha de transporte semi-público) que passava no local.

No seu comunicado, a bancada parlamentar da Renamo acusa o Governo de não estar a cumprir com os entendimentos assinados entre as partes, nomeadamente o Acordo de Cessação de Hostilidades Militares, de 05 de Setembro de 2014, e o Acordo Geral de Paz, assinado em 1992, marcando o fim de um conflito de 16 anos, que causou a morte de quase um milhão de pessoas.

"O Governo está a pôr em causa este acordo assinado em Roma perante altas identidades representativas de muitos países e organizações", escreve a Renamo, acrescentado que as autoridades deviam, pelo contrário, preocupar -se em responder aos "sucessivos assassinatos" de jornalistas e académicos registados nos últimos tempos no país.

A Renamo acusa ainda o Governo de tentar reinstalar um sistema monopartidário, considerando que a democracia não pode ser considerada sinónimo de submissão da Renamo.

"O nosso caminho, assim como os nossos propósitos de representação e defesa do povo moçambicano ao abrigo de uma democracia efetiva, irá continuar, disso não abdicaremos", salienta o documento da bancada parlamentar do maior partido de oposição.

O pronunciamento dos deputados da Renamo seguiu-se a uma conferência de imprensa do porta-voz do partido, António Muchanga, que assumiu sete baixas entre a comitiva de Dhlakama, na sexta-feira, e declarando que o dirigente político saiu ileso de uma emboscada e que se encontrava algures na província de Manica.[OD]